Baixo nível de cortisol poderia explicar condutas anti-sociais

Como certos casos de depressão, alguns problemas de comportamento podem ter uma base química

EFE,

30 de setembro de 2008 | 20h02

O comportamento anti-social de alguns adolescentes pode estar relacionado com uma baixa produção de cortisol, o hormônio do estresse, segundo um estudo publicado na revista Biological Psychiatry.   O estudo foi feito por uma equipe de pesquisadores da Universidade Cambridge (Reino Unido) dirigida pelo doutor Graeme Fairchild e pelo professor Ian Goodyer, com a subvenção da organização beneficente britânica Wellcome Trust.   Normalmente, as situações que geram estresse, como ter que falar em público ou fazer uma prova, disparam a produção de cortisol.   Trata-se de um hormônio esteróide cuja função é ajudar a controlar o estresse, reprimindo os impulsos e induzindo a um comportamento mais cauteloso.   Do estudo participaram 165 adolescentes de 14 a 18 anos, com e sem problemas de conduta, de quem foram recolhidas pequenas quantidades de saliva para medir seus níveis de cortisol em diferentes situações.   Durante três dias consecutivos, os pesquisadores mediram várias vezes a quantidade do hormônio na saliva, de manhã e de tarde, para saber o ritmo de produção diário em condições normais. Após esses procedimentos, os adolescentes foram submetidos a uma experiência estressante, capaz de provocar tédio e frustração, para que depois fossem coletadas novas amostras.   Com os dados recolhidos, os pesquisadores descobriram que entre um e outro grupo de adolescentes havia diferenças consideráveis: os que tinham um transtorno de comportamento grave diagnosticado excretavam menos cortisol do os demais, quando enfrentavam situações de estresse.   Os investigadores afirmam que a correlação entre o hormônio e o comportamento sugere que, pelo menos em alguns casos, o desequilíbrio de cortisol poderia ser a razão de condutas anti-sociais de alguns jovens com este tipo de transtorno.   Da mesma forma que ocorre com a depressão e a ansiedade, em alguns indivíduos os transtornos de comportamento poderiam ter uma base biológica maior do que se pensava.   "Se entendemos com precisão" o que está por trás da "incapacidade de dar uma resposta normal ao estresse, talvez sejamos capazes de estabelecer novos tratamentos para os problemas de comportamento graves", explicou Fairchild em comunicado de imprensa.   Segundo ele, esses tratamentos ofereceriam "a possibilidade de melhorar a vida dos adolescentes afetados e das comunidades onde vivem".

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