Baixo nível de represa mobiliza ambientalistas em Sorocaba

Ambientalistas da região de Sorocaba estão se mobilizando para tentar reverter o processo de secagem da Represa de Itupararanga, responsável pelo abastecimento de cerca de 1 milhão de habitantes em cinco municípios da região. O manancial, cujo reservatório tem capacidade para 400 milhões de metros cúbicos, está com menos de 30% do seu potencial de armazenamento, apesar das chuvas que têm ocorrido na região. O lago, de 24,1 quilômetros quadrados, já recuou mais de 200 metros das margens. Atendendo aos ambientalistas, a deputada federal Iara Bernardi (PT/SP) vai pedir ao Ministério das Minas e Energia, em audiência marcada para depois de amanhã, a suspensão, em caráter emergencial, da descarga da barragem para geração de energia elétrica. Segundo a deputada, as cidades abastecidas pela represa correm o risco de ficar sem água. Em Sorocaba, cerca de 80% dos 520 mil habitantes recebem o líquido proveniente desse manancial. A eletricidade gerada na hidrelétrica deItupararanga é utilizada pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do grupo Votorantim, em sua fábrica de alumínio. De acordo com medições da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em razão do baixo volume de água, a represa já atingiuseu volume útil operacional mínimo, que é de 20%. Em dezembro de 2002, esse volume era de 43,9% e, em dezembro último, de21,5%. Doze entidades ambientais não governamentais reúnem-se na próxima sexta-feira, na Faculdade de Tecnologia deSorocaba (Fatec) para discutir medidas de proteção emergencial da represa. Dados do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepa) da faculdade indicam que 2004 será um ano de menos chuvas. Segundo o ambientalista Alexandre Leite Proença, representantes das entidades pretendem percorrer de barco e de balão da área do manancial na tentativa de identificar as causas do secagem. Proença obteve imagens de satélite que mostram o intenso desmatamento das margens, sobretudo para a instalação de loteamentos de chácaras. "A maioria dos empreendimentos é clandestina e o poder público nada fez para impedi-los." Os rios Una, Sorocamirim e Sorocabuçu, principais formadores da represa, sofreram perda de matas ciliares e têm suas águas usadas para irrigar plantações. A vazão afluente (água que entra) da represa caiu de 12,99 metros cúbicos por segundo em 1993 para 7,33 metros no ano passado. A vazão defluente (saída de água) é de 9,02 metros cúbicos por segundo, com um déficit de 1,69 metros por segundo. Itupararanga e os entornos foram declarados área de proteção ambiental, este ano,por lei estadual, mas os efeitos da medida só serão sentidos a médio ou longo prazo.

Agencia Estado,

19 de janeiro de 2004 | 18h06

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