Banco Mundial financia comunidades agroextrativistas de Marajó

Setenta famílias de pequenos produtores agroextrativistas da Ilha de Marajó contarão com apoio técnico para aumentar sua capacidade produtiva, através de atividades ambientalmente sustentáveis. O projeto, desenvolvido pelo Programa Pobreza e Meio Ambiente na Amazônia (Poema), da Universidade Federal do Pará, contará com US$ 240 mil, doados pela Corporação Financeira Internacional, do Banco Mundial, e será lançado amanhã, no município de Curralinho, um dos mais pobres do Estado do Pará. Voltado para atividades de organização social, implantação de sistemas agroflorestais, manejo florestal e comercialização conjunta, o projeto Desenvolvimento Local, Biodiversidade e Mudanças Climáticas visa garantir a sobrevivência desses produtores, transformando-os em pequenos empresários, e, ao mesmo tempo, diminuir a pressão sobre a biodiversidade local, ameaçada por atividades predatórias como extração de madeira e de palmito. ?O programa conta com o apoio dos sindicatos e cooperativas, já que a atividade extrativista, da maneira que vem sendo praticada, não tem melhorado a qualidade de vida na região?, disse Sandro Abreu de Oliveira, secretária de Agricultura e Meio Ambiente do município.Segundo Oliveira, o Poema já desenvolve projetos com as comunidades locais há cinco anos, com trabalhos voltados para a produção de castanhas do Pará e de caju, além de doces, compotas e geleias. ?Há um ano surgiu a possibilidade de um programa mais amplo, voltado para a preservação da floresta e seqüestro de carbono?, explica. Com isso, as atividades deverão ser diversificadas, conforme o potencial e interesse de cada produtor, dentro de uma visão empresarial e respeitando suas tradições culturais.Estão previstos projetos voltados para apicultura, piscicultura, além de manejo, extração e industrialização de palmito, castanhas, óleos vegetais e farinha de buriti. ?A prefeitura participa do projeto, comprando a produção para merenda escolar e os agricultores se comprometem a não desmatar?, diz o secretário. O projeto tem ainda um caráter multiplicador. Começa com 70 famílias de quatro comunidades - Bom Jesus do Aramaquiri, Piriá, Guajará e Estrada - e cada uma delas se compromete a replicar os conhecimentos para uma outra. ?No final de um ano, esperamos ter 140 famílias envolvidas?.Criado em 1991, o Poema é uma organização não-governamental, ligada à Universidade Federal do Pará, cujo foco de atuação é dar treinamento e facilitar o intercâmbio dos produtores pobre da Bacia Amazônica com o mercado. Um dos casos bem sucedidos é um projeto com a DaimlerChysler, pelo qual comunidades da região produzem peças de carro com fibras de coco.?Iniciativas desse tipo serão o enfoque do Poema na próxima década e refletem a preocupação de demonstrar como o desenvolvimento local pode ter impactos positivos em mudanças climáticas e como novos instrumentos, como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), da Convenção de Mudanças Climáticas, podem ser aproveitados para alcançar o desenvolvimento sustentável?, disse Thomas Mitschein, coordenador geral da entidade. ?Esperamos que esse piloto possa ser replicado em outras áreas florestais do Brasil, a fim de ajudar a melhorar os padrões de vida da população local?, afirmou Bernard Pasquier, diretor regional do Departamento da América Latina e do Caribe da IFC.

Agencia Estado,

11 de fevereiro de 2003 | 11h30

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