University of Oxford/via REUTERS
University of Oxford/via REUTERS

Barbie: cientista brasileira que sequenciou coronavírus ganha boneca de homenagem

Fabricante de bonecas também anunciou lançamento de brinquedos inspirados em outras cinco heroínas do combate à covid-19, incluindo uma das criadoras da vacina de Oxford/AstraZeneca

Igor Soares, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2021 | 12h10
Atualizado 05 de agosto de 2021 | 12h41

A Mattel anunciou nesta quarta-feira, 4, o lançamento de seis bonecas Barbie em homenagem a mulheres que desenvolvem papel importante no combate à covid-19, chamadas de "heroínas" pela marca. Uma das novas versões do brinquedo é inspirada na pesquisadora brasileira Jaqueline Goes de Jesus, que participou do primeiro sequenciamento do coronavírus no Brasil.

Como o Estadão noticiou na época, a análise do genoma do vírus da covid-19 foi feita no Brasil primeiramente por uma equipe liderada por pesquisadoras, e em apenas 48 horas. Jaqueline é biomédica, baiana e tem 31 anos.

“Ganhamos visibilidade como cientistas e isso ajuda a inspirar outras mulheres. A maior parte dos comentários foi porque as mulheres estavam querendo incentivar outras mulheres na ciência. Elas se sentiram representadas, viram que têm em quem se inspirar”, comentou a pesquisadora ao Estadão em 2020.

Atualmente vivendo em Londres para estudar, ela compartilha, no Instagram, a vida fora do Brasil. Somente nesta rede, o número de seguidores passou de 160 mil. Ela costuma usar o espaço de visibilidade que ganhou para divulgar vídeos educativos sobre o coronavírus e informações acerca de vacinas. Também sobra tempo para dividir com o público o ‘look’ do dia e as viagens que faz pelo continente europeu. 

 


Nesta quarta-feira, 4, a cientista usou o perfil na rede para anunciar a homenagem da fabricante de brinquedos. “Enquanto mulher negra, ser presenteada com uma boneca Barbie, que tem todas as minhas características, é simplesmente um sonho”, diz. “Cá estou, encantada com a riqueza de detalhes desta boneca, que reproduz meu estar cientista e faz parte de uma linha exclusiva para a campanha, sem produção comercial.” A Mattel confirma que não haverá venda.

Para ela, a representação em formato de boneca é um exemplo para meninas negras. “Neste momento, só consigo pensar em quantas meninas podem ser inspiradas por ela (a boneca), quantas meninas negras podem olhar e sonhar em seguir a profissão de cientista, em que mulheres são subrepresentadas no mundo todo”, pontua o texto.

“Para iluminar seus esforços, estamos compartilhando suas histórias e aproveitando a plataforma da Barbie para inspirar a próxima geração a seguir essas heroínas. Nossa esperança é nutrir e estimular a imaginação das crianças que interpretam seus próprios enredos como heróis”, declara Lisa McKnight, vice-presidente sênior e chefe global da Barbie e bonecas da Mattel.

Jaqueline se formou em biomedicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, é mestre em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa pela Fiocruz, além de ser doutora em Patologia Humana e Experimental pela Universidade Federal da Bahia. Atualmente, faz pós-doutorado em Moléstias Infecciosas no Instituto de Medicina Tropical, da Universidade de São Paulo (USP).

Ela também integra o Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus, onde está estudando, na Inglaterra. O objetivo do projeto é mapear epidemias em tempo real e oferecer informações para os sistemas de saúde. O grupo de pesquisa do qual Goes faz parte já realizou outros monitoramentos, como o do vírus da zika. 

Segundo a Mattel, a ideia é “inspirar a próxima geração para que tomem exemplo de estas heroínas”. As bonecas não serão, contudo, vendidas em grande escala.

Outra homenageada é a cientista britânica Sarah Gilbert, uma das criadoras da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford com a AstraZeneca. Ela disse ter estranhado a homenagem, mas espera que ajude a inspirar uma nova geração de jovens a trabalhar na ciência, na tecnologia, na engenharia e na matemática.

“Espero que as crianças que conheceram à minha Barbie se deem conta do quão vital são as carreiras científicas para ajudar o mundo que nos rodeia”, declarou, de acordo com a agência internacional.

As demais homenageadas são a cuidadora norte-americana Amy O'Sullivan, enfermeira de urgências do Hospital Wycoff, de Nova York, a médica Audrey Cruz, de Las Vegas, a médica canadense Chika Stacy Oriuwa e a médica australiana Kirby White, uma das criadoras de uma roupa reutilizável para as equipes de saúde./COM INFORMAÇÕES DA AFP

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