Barcos chineses invadem a Amazônia em busca de camarão

O Sindicato das Indústrias de Pesca dos Estados do Pará e Amapá denunciou ao Ministério do Meio Ambiente a invasão de grandes barcos chineses na Amazônia, para a pesca clandestina de camarão. "É uma situação de extrema gravidade e as autoridades brasileiras precisam tomar urgentes providências", afirmou o presidente do sindicato, Ivanildo Pontes. De acordo com ofícios entregues ao comandante do IV Distrito Naval em Belém, vice-almirante José Antônio Castro Leal, ao delegado do Ministério da Agricultura no Pará, Antônio D´Ávila de Souza Neves, e ao superintendente regional do Ibama, Paulo Contente, a invasão dos barcos chineses em águas territoriais brasileiras, além de desrespeitosa às convenções internacionais, significa uma "concorrência desleal com os empresários nacionais, que pagam seus impostos e geram emprego na região". A pesca ilegal do camarão está sendo feita por quatro navios-fábricas de bandeira chinesa, no litoral norte. Essas embarcações de grande porte são equipadas com instalações industriais para o armazenamento de dezenas de toneladas de camarão. Para pescar na costa do Pará e Amapá, os chineses entram clandestinamente pela Guiana Francesa. Ivanildo Pontes informou que os barcos chineses estavam operando a 2º 10´ de latitude e 48º35´ de longitude, exatamente onde se achavam as embarcações nacionais. Nessas coordenadas, segundo confirmação de oficiais da Marinha, a profundidade do oceano varia entre 35 e 40 metros. "A pesca nessa profundidade é feita somente por barcos brasileiros, pois não temos equipamentos e nem experiência para capturar o camarão em águas mais profundas". Já os barcos chineses e de outras nacionalidades que atuam na pesca em águas territoriais brasileiras, com licença especial do Ministério da Agricultura, têm autorização para operar em profundidade acima de 200 metros. "Mas eles ignoram solenemente esse limite e preferem pescar onde operam os brasileiros", criticou Pontes.

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