Base da Shell é lacrada, mas volta a funcionar

Durou apenas oito horas a interdição da base de abastecimento de combustíveis da Shell, na Vila Carioca, região do Ipiranga, zona sul da capital. A área tem problemas de contaminação. Por volta das 9h30 de ontem a Prefeitura interditou a unidade, por falta de licença de funcionamento. No fim da tarde, a empresa conseguiu na Justiça duas liminares que autorizam o funcionamento. Segundo a Assessoria de Imprensa da Shell, o local (onde há 37 tanques com combustíveis) volta a ser operado hoje. Enquanto a Prefeitura e a Shell travam uma disputa, os moradores da proximidades do local, preocupados em preservar os seus direitos, formaram no sábado a Associação Reviva a Vila Carioca. Por meio da entidade, a população pretende reivindicar dos governos municipal, estadual e federal informações concretas sobre o grau de contaminação da área e pedir exames médicos que esclareçam se os moradores foram afetados. A interdição foi feita com a presença de representantes da Prefeitura e da Câmara Municipal, entre eles o secretário de Implementação das Subprefeituras, Jilmar Tatto. A última licença obtida pela Shell está vencida desde 1985. Sobre isso, a empresa diz que entendia, baseada em antiga legislação, que se não houve modificação no ramo de atividade da base, não haveria necessidade de renovar a licença. A Assessoria de Imprensa da Administração Regional do Ipiranga informou que o processo administrativo da Shell na regional foi arquivado em 2000 no Arquivo Geral Municipal. Isso indica, em tese, que o processo estaria regular. A procuradoria jurídica da regional está agora analisando o processo para saber por que ele foi arquivado. De acordo com o documento que determinava a interdição, a Shell só poderia voltar a operar a base depois que entregasse à regional todos os documentos para a obtenção da licença. Isso inclui uma licença do Departamento de Controle de Imóveis (Contru) para os tanques de combustíveis. Moradores vizinhos, assustados, reclamam de dores de cabeça e dificuldades para respirar. Eles suspeitam que os problemas de saúde têm relação com a contaminação. "Agora eu estou ficando mais preocupada", disse Célia Rosseto, de 47 anos. Suas filhas Adriana Delbosque, de 26 anos, e Priscila, de 15, se queixam de freqüentes dores de cabeça há mais de um ano. Em nota, a Shell informou que "a área está sob monitoramento constante e, com base nos estudos até agora realizados, não existe exposição ao risco para a comunidade vizinha e nem para os funcionários". Entre os moradores, uns não acreditam nisso, outros colocam em dúvida.

Agencia Estado,

21 de maio de 2002 | 10h41

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