Basf anuncia que encerra atividades em Paulínia

Apesar de interditada pelo Ministério Público do Trabalho, a indústria de defensivos agrícolas Basf, instalada em área contaminada pela Shell, no bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia,anunciou nesta quinta-feira que encerra nesta sexta definitivamente suas atividades no local.A propriedade, cuja contaminação foi admitida pela Shell no início da década de 90, já foicolocada à venda pela Basf. Dos 184 funcionários, 164 foram demitidos, e o restante, remanejado para outras unidades da empresa no Brasil.O Ministério do Trabalho e Emprego, com apoio doMinistério Público do Trabalho e da Secretaria de Meio Ambiente de Paulínia, fez o pedido de interdição. No processo, a Justiça do Trabalho determinou que a indústria procedesse a avaliação médica de todos os funcionários, para averiguar se há casos de contaminação.A empresa nega que o procedimento seja necessário, por falta de pressupostos científicos, e alega que irá contestá-lo judicialmente. A assessoria de imprensa informou nesta quinta-feira que o Ministério Público doTrabalho lamenta a atitude da indústria e que o processo continuará tramitando.De acordo com o vice-presidente da Basf, Fernando Figueiredo, a empresa ?tem evidências técnicas de que não provocou impacto ambiental? em Paulínia porque sempre cumpriu programas de segurança do trabalho, de medicina do trabalho e de atuação responsável, acompanhados pelos órgãos competentes.Figueiredo acrescentou que a Shell assumiu contratualmente a responsabilidade de saneamento ambiental da área. ?Todo mundo sabia que a área estava contaminada?, alegou. A propriedade foi vendida pela Shell à Cyanamid, que a revendeu à Basf.Segundo o vice presidente da Basf, a interdição vai aumentar a dificuldade de venda da propriedade. Ele disse que a desativação da unidade de Paulínia faz parte de um programa de reorganização mundial do grupo, que ainda mantém duas fábricas de defensivos no Brasil, em Guaratinguetá (SP) e Resende (RJ).O faturamento do grupo no Brasil, com cerca de 5 mil funcionários, é de 1,2 bilhão de euros por ano. O gerente da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) dePaulínia, Luiz Eduardo de Souza Leão, afirmou que não há indícios de que a Basf tenha dado continuidade ao processo de contaminação da área, a partir de dados técnicos obtidos no monitoramento da propriedade.Mas ele comentou que, como proprietária doterreno, a empresa é co-responsável pela contaminação. ?Se a Shell tiver que se ausentar, por algum motivo, a Basf fica responsável?,argumentou Leão. Segundo ele, a Cetesb ainda está analisando as propostas da Shell para a remediação da área contaminada.Uma delas, a remoção de cerca de mil toneladas de terra contaminada exposta, cerca de 400 metros cúbicos, está embargada na Justiça. A Justiça proibiu a retirada da terra alegando que junto estariam sendo removidas provas técnicas. Leão afirmou, porém, que não há alternativa disponível, já que o tratamento da terra no local não deu resultados satisfatórios.

Agencia Estado,

23 de janeiro de 2003 | 18h16

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