Alessandra Tarantino/AP
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Bento XVI deixa o papado e se torna papa emérito nesta quinta-feira

Primeira congregação de cardeais preparatória do Conclave, que escolherá o sucessor de Bento XVI, será realizada na próxima segunda-feira

Com informações da AP e Efe,

28 Fevereiro 2013 | 18h27

Bento XVI se tornou o primeiro papa a renunciar em 600 anos nesta quinta-feira, 28. É o fim de oito anos de pontificado marcado pela luta para superar os escândalos de abusos sexuais e despertar o Cristianismo em um mundo indiferente. Ao som do sino, a Guarda Suíça fechou as portas do Castelgandolfo logo após as 16 horas (horário de Brasília), fechando simbolicamente o papado que ficará marcado principalmente pela forma que se encerra, a renúncia ao invés da morte do papa.

Na segunda-feira, será realizada a primeira congregação de cardeais preparatória do Conclave que elegerá o sucessor de Bento XVI. A Igreja Católica entrou em período de Sé Vacante e já nesta sexta-feira o cardeal decano, Angelo Sodano, começará a convocar os cardeais para preparar o Conclave e participar das congregações preparatórias.

Enquanto o novo papa não é escolhido, o governo provisório da Igreja Católica passa para as mãos do cardeal camerlengo, cargo do atual secretário de Estado, o cardeal Tarcisio Bertone.

Despedida de Bento XVI

Na troca da guarda, às 16 horas desta quinta-feira, a Guarda Suíça entregou a responsabilidade da proteção de Bento XVI, de 85 anos, para a polícia do Vaticano enquanto alguns fiéis gritavam 'viva o papa', 'vida longa ao papa'.

A trajetória do papa até a renúncia começou com uma emocionante despedida do Vaticano, com a Guarda Suíça em trajes de gala se ajoelhando para beijar o anel do papa Bento XVI pela última vez. O mais próximo assessor de Bento XVI chorou ao seu lado enquanto faziam a caminhada final pelos corredores de mármore do Palácio Apostólico.

Enquanto os sinos tocavam na Praça de São Pedro, e em igrejas por toda Roma, Bento XVI foi de helicóptero à residência de verão do papa, o palácio Castelgandolfo, nas montanhas do sul de Roma, onde ele passará os próximos dois meses.

Bento XVI deixa para trás uma igreja em crise, ainda tentando lidar com os escândalos sobre os abusos sexuais e uma administração central no Vaticano dilacerada por divisões.

Em suas últimas declarações públicas como papa, Bento XVI prometeu continuar trabalhando para o bem da igreja após a renúncia. Braços levantados, ele disse a uma praça cheia a partir da varanda do palácio que a partir de sua renúncia "Eu sou simplesmente um peregrino começando a última etapa da sua peregrinação na Terra."

Bento XVI também se dirigiu aos fiéis pela internet, enviando uma mensagem pelo Twitter: "Obrigado pelo seu amor e apoio. Que vocês sempre experimentem a alegria ao colocar Cristo no centro de suas vidas."

O dia começou com a audiência final entre Bento XVI e seus cardeais. Na reunião, ele prometeu sua "reverência e obediência incondicional" a seu sucessor, uma mensagem que era inesperada.

O papa parecia estar tentando acalmar as preocupações sobre seu papel futuro e os possíveis conflitos decorrentes da situação peculiar de se ter um papa reinante e um renunciante.

Bento XVI também deu algumas instruções para aqueles que vão eleger o seu sucessor, instando-os a se unirem ao escolherem o 266º líder dos 1,2 bilhões de católicos do mundo.

"Que o Colégio de Cardeais trabalhe como uma orquestra, onde a diversidade - uma expressão da igreja universal - sempre trabalha em busca de um acordo harmonioso''.

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