Bento XVI dirigirá a atenção para a pobreza e o meio ambiente

Pontífice foi recebido com um forte aplauso ao sair do avião, após um vôo de 21 horas procedente de Roma

Efe

13 de julho de 2008 | 10h25

O papa Bento XVI, que chegou neste domingo, 13, a Sydney para liderar a 23ª Jornada Mundial da Juventude, adiantou que quer chamar a atenção dos jovens para a pobreza, a justiça e o meio ambiente, e buscará "reconciliar" a Igreja Católica com as vítimas de abusos sexuais. Veja também: Papa quer 'reconciliar' Igreja com vítimas de abusos sexuais Em sua chegada à base aérea de Richmond, nos arredores de Sydney, o pontífice foi recebido com um forte aplauso ao sair do avião, após um vôo de 21 horas procedente de Roma e com escala técnica em Darwin, no litoral norte da Austrália. O papa cumprimentou o primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd; o arcebispo de Sydney, cardeal George Pell, e outros líderes da Igreja Católica na Austrália. Depois, a comitiva papal foi a um retiro do Opus Dei nas Montanhas Azuis, a cerca de 40 quilômetros de Sydney, onde descansará até quinta-feira, quando se unirá às celebrações da Jornada Mundial da Juventude. Na mensagem que papa divulgou ao chegar à Austrália para os mais de 215.000 jovens peregrinos que participarão da Jornada Mundial da Juventude, disse que muitos jovens "vêem a pobreza e a injustiça, e querem encontrar soluções". "Muitos jovens não têm esperança. Permanecem perplexos diante das perguntas que lhes são apresentadas de forma cada vez mais urgente em um mundo que os confunde, e estão freqüentemente inseguros de para onde ir e encontrar uma resposta", disse. Além disso, esses jovens "vêem os grandes danos que a avareza humana causa ao meio ambiente, e lutam para encontrar modos para viver em melhor harmonia com a natureza e com os outros". O Pontífice irá a Sydney na quarta-feira, onde se hospedará na residência do cardeal George Pell, na Catedral de St. Mary, e realizará seu primeiro compromisso oficial na quinta-feira, quando será recebido pelas autoridades australianas. Abusos Bento XVI disse aos jornalistas que viajavam com ele que, na Austrália, repetirá o perdão às vítimas de abusos sexuais por parte de sacerdotes, como fez em sua recente viagem aos Estados Unidos, onde a Igreja Católica teve que enfrentar indenizações milionárias devido aos processos por abusos. "O problema (na Austrália) é essencialmente o mesmo que nos Estados Unidos", disse Bento XVI, para quem é essencial que a Igreja veja "sua culpa", "se reconcilie" e "previna" este tipo de abuso. No entanto, na Austrália, não se espera que o papa faça as mesmas declarações. O máximo representante da Igreja Católica no país, o cardeal Pell, está em meio a um escândalo e, na semana passada, foi acusado pela televisão estatal ABC de ter encoberto um sacerdote acusado de abusos em 2003. O coordenador da Jornada Mundial da Juventude, Anthony Fisher, disse hoje, em entrevista coletiva, que a Igreja na Austrália "mantém o compromisso de fazer tudo o possível para ajudar as vítimas dos abusos sexuais". Fisher disse apenas que, dados os esforços para fazer o correto neste difícil tema, as palavras de Bento XVI encorajam, e têm vontade de ouvir o que o papa quer lhes dizer. Durante a visita do papa, a organização Broken Rites, um grupo de ajuda para as vítimas de abusos sexuais relacionados a sacerdotes, deve fazer várias manifestações junto ao grupo Não ao Papa, que protestará contra a posição da Santa Sé sobre os homossexuais, o aborto e a aids. As autoridades da Austrália, considerado um dos países menos religiosos do mundo, acham que os protestos serão minoritários e não impedirão o desenvolvimento das celebrações da Jornada Mundial da Juventude. 

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