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Bento XVI irá à Terra Santa depois de polêmica do Holocausto

O papa visitará primeiro a Jordânia e depois irá para Israel e para os territórios palestinos, onde oficiará missas

Efe,

26 de março de 2009 | 14h28

O papa Bento XVI viajará à Terra Santa de 8 a 15 de maio, primeiro estará na Jordânia (até o dia 11) e depois em Israel e nos territórios palestinos, informou nesta quinta-feira, 26, o Vaticano.

 

A viagem acontecerá após a polêmica com as declarações do bispo lefebvriano Richard Williamson, a quem o papa recentemente revogou a excomunhão que pesava sobre ele e que negou o Holocausto, o que colocou em pé de guerra a comunidade judaica internacional e desencadeou uma onda de críticas ao Vaticano e ao pontífice.

 

Além disso, a existência de uma foto de Pio XII, papa entre 1939 e 1958, no museu do Holocausto em Jerusalém na qual é acusado de passividade diante do genocídio perpetrado pelos nazistas pode ser outro motivo para indisposições durante esta viagem do pontífice.

 

Ainda não foram superadas as críticas a Pio XII, papa durante os anos do nazismo e a quem muitos historiadores e judeus acusam de anti-semita e de não ter erguido a voz contra o regime de Adolf Hitler, algo sempre negado pelo Vaticano.

 

Os judeus se opõem à beatificação de Pio XII e, no museu do Memorial do Holocausto Yad Vashem, de Jerusalém, há uma fotografia deste papa com uma polêmica inscrição, na qual é acusado de ter se calado enquanto milhões de judeus eram conduzidos aos campos de extermínio durante a Segunda Guerra Mundial.

 

Alguns representantes católicos pediram ao papa que não viajasse até que Israel retirasse a foto e o texto. Bento XVI não visitará o museu, mas sim o Memorial.

 

Outro problema entre Israel e Vaticano permanece sem solução após 16 anos de relações diplomáticas: a falta de um acordo sobre isenção fiscal e de propriedade para os edifícios da Santa Sé na Terra Santa.

 

A Igreja Católica reclama por ainda não ter uma pessoa jurídica, o que a impede de se defender quando considera que suas propriedades foram ocupadas, e pretende ter isenção de impostos, alegando que a lei israelense exime templos religiosos de tributação.

 

Além disso, o Vaticano reivindica algumas propriedades para si, como o Cenáculo, local no qual Jesus Cristo teria celebrado a Última Ceia.

 

A visita, "um desejo" de Bento XVI, segundo seu porta-voz, Federico Lombardi, ocorre nove anos depois da viagem do papa João Paulo II por ocasião do Jubileu da Igreja Católica no ano 2000.

 

Além disso, o papa visitará a Terra Santa apesar das dificuldades no processo de paz entre israelenses e palestinos e das últimas tensões entre Israel e a Santa Sé.

 

O papa partirá de Roma em 8 de maio com destino Amã, onde se reunirá com o rei da Jordânia, Abdullah II. No dia 9, visitará o Monte Nebo (a 35 quilômetros da capital jordaniana), onde, segundo o livro da Bíblia Deuteronômio, o Senhor mostrou a Moisés a terra prometida.

 

O papa oficiará uma missa no dia 10 no estádio de Amã e, à tarde, irá ao lugar do Rio Jordão onde, segundo a tradição, Jesus foi batizado. No dia seguinte, Bento XVI deixará Amã com destino Tel Aviv, onde será recebido pelas autoridades israelenses. À tarde, visitará o presidente de Israel, Shimon Peres, e o memorial do Holocausto Yad Vashem.

 

O dia 12 será destinado a Jerusalém. Visitará a Cúpula da Rocha, na Esplanada das Mesquitas, onde se reunirá com o grande mufti, e o Muro das Lamentações. Depois, se reunirá com os dois grandes rabinos de Jerusalém e visitará o local onde, segundo a tradição, Cristo celebrou a Última Ceia. À tarde, oficiará uma missa no Vale de Josafat, em Jerusalém.

 

Na quarta-feira, dia 13 de maio, visitará Belém, em território palestino. Oficiará uma missa na praça da Manjedoura e visitará a Gruta da Natividade, onde, segundo a tradição, Cristo nasceu. À tarde, visitará um campo de refugiados próximo a Belém e se reunirá com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

 

O papa pediu ao Governo de Israel em diversas ocasiões para que "alivie os sofrimentos" dos refugiados palestinos e lhes permita mais liberdade de ir e vir.

 

Na quinta-feira, dia 14, se transferirá a Nazaré, a cidade da virgem Maria, onde se reunirá com a comunidade franciscana e manterá um encontro com o primeiro-ministro de Israel. Além disso, visitará a Gruta da Anunciação.

 

Na sexta-feira, manterá um encontro ecumênico na sede do patriarcado greco-ortodoxo de Jerusalém, visitará a igreja patriarcal armênia e se ajoelhará no Santo Sepulcro. Depois, deixará a Terra Santa e voltará a Roma.

 

Esta será sua 12ª viagem pelo mundo, nove anos depois da realizada pelo papa João Paulo II por ocasião do Jubileu do Ano 2000.

 

Ampliada às 16h19

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