Bento XVI pede fim de preconceitos contra os cristãos

O pontífice pediu que 'os discípulos de Cristo, diante de tais provas, não percam o ânimo'

Efe

08 de janeiro de 2009 | 14h53

O papa Bento XVI pediu nesta quinta-feira, 8, que, no mundo ocidental, não sejam cultivados "preconceitos ou hostilidades contra os cristãos, simplesmente porque, em certas questões, sua voz perturba". Bento XVI dirigiu um discurso ao corpo diplomático credenciado perante a Santa Sé por ocasião das tradicionais felicitações de novo ano. O pontífice falou sobre a perseguição aos cristãos, e também se referiu à situação dos mesmos no Ocidente e pediu que, como "os discípulos de Cristo, diante de tais provas, não percam o ânimo". "Se as tribulações são duras, a constante presença de Cristo é um consolo eficaz", disse. O papa renovou os pedidos às autoridades civis e políticas para que coloquem fim à intolerância e às humilhações contra os cristãos. Bento XVI falou de desarmamento e da não-proliferação nuclear, da fome que se agrava por causa da crise econômica, sobre a qual disse que é preciso saná-la, e isso só poderá ser alcançado criando uma nova confiança "através de uma ética fundada na dignidade inata da pessoa humana". O papa lembrou os que sofreram por causa de graves catástrofes naturais, em particular no Brasil, Colômbia, Vietnã, Mianmar, China, Filipinas, América Central e Caribe, ou por causa de sangrentos conflitos nacionais ou regionais e de atentados terroristas que espalharam morte e destruição em países como Afeganistão, Índia, Paquistão e Argélia. "Apesar dos muitos esforços realizados, a tão desejada paz ainda está distante, mas não se deve desanimar nem atenuar o compromisso a favor de uma autêntica cultura de paz, mas, pelo contrário, redobrar os esforços a favor da segurança e do desenvolvimento". Segundo o papa, é urgente adotar uma estratégia eficaz para combater a fome e favorecer o desenvolvimento agrícola local, mais ainda quando a porcentagem de pobres aumenta inclusive nos países ricos. "Se queremos combater a pobreza, devemos investir, antes de tudo, na juventude, educando em um ideal de autêntica fraternidade", disse. Acordo com o Brasil O papa Bento XVI disse nesta quinta-feira, 8, também que os povos da América Latina "aspiram a viver em paz, livres da pobreza e exercendo livremente seus direitos fundamentais", e comemorou o acordo entre a Santa Sé e o Governo brasileiro, que firmou o estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil. Em discurso de felicitações para o novo ano ao corpo diplomático credenciado na Santa Sé, Bento XVI pediu aos emigrantes da América Latina que as legislações levem em conta as necessidades dos que emigram e facilitem o reagrupamento familiar "conciliando as legítimas exigências de segurança com as do respeito inviolável da pessoa". O papa falou também de desarmamento e da não-proliferação nuclear, da fome que se agrava pela crise econômica, a qual disse que é preciso sanar e que isso só poderá se alcançar criando uma nova confiança "através de uma ética fundada na dignidade inata da pessoa humana". Joseph Ratzinger louvou também o compromisso prioritário de certos Governos "para restabelecer a legalidade e empreender uma luta sem quartel contra o tráfico trânsito de entorpecentes e a corrupção", sem citar nominalmente Colômbia, que, após conseguir reduzir a força do tráfico, enfrentou neste ano um escândalo de pirâmides financeiras. O papa disse estar contente de que "30 anos depois do começo da mediação pontifícia sobre o litígio entre Argentina e Chile, relativo à zona austral, os dois países tenham selado sua vontade de paz erguendo um monumento a meu venerado antecessor, o papa João Paulo II". Segundo Bento XVI, a Igreja acompanha há cinco séculos os povos da América Latina, "compartilhando suas esperanças e suas preocupações". "Seus pastores sabem que, para promover o progresso autêntico da sociedade, precisam iluminar as consciências e formar leigos capazes de intervir fervorosamente nas realidades temporárias, colocando-se a serviço do bem comum", concluiu. Sobre o Brasil, o papa declarou desejar que "o acordo (entre a Santa Sé e o Governo) facilite o livre exercício da missão evangelizadora da Igreja e reforce ainda mais sua colaboração com as instituições civis para o desenvolvimento integral da pessoa". O texto do acordo fixa as personalidades jurídicas não só da Igreja Católica como um todo, mas também de suas instituições, como paróquias, dioceses e congregações.

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