Bento XVI reconhece que muçulmanos são um 'componente da Alemanha'

'A presença de várias famílias muçulmanas desde a década de 1970 se transformou em uma característica crescente neste país', afirmou o pontífice

23 Setembro 2011 | 08h28


 

BERLIM - O papa Bento XVI reconheceu nesta sexta-feira, 23, que os muçulmanos se transformaram em um "componente" da Alemanha, durante um encontro com representantes do Islã ao iniciar o segundo dia de sua visita ao país.

 

"A presença de várias famílias muçulmanas desde a década de 1970 se transformou em uma característica crescente neste país", disse o papa durante a reunião celebrada nos salões da Nunciatura Apostólica, em Berlim.

 

Além disso, Bento XVI assegurou que "a Igreja Católica defende decididamente que a dimensão pública da pertinência religiosa tenha um reconhecimento adequado".

 

O Pontífice ressaltou, no entanto, que a Constituição do país "deve ser a base da convivência humana", em uma velada advertência contra os extremismos religiosos, e comentou que o respeito mútuo só é possível desde o respeito também a direitos irrenunciáveis.

 

Quinze altos representantes do clero, de associações, organizações humanitárias e do ensino islâmicos tiveram ocasião de dialogar com o Pontífice sobre as relações entre o cristianismo e os muçulmanos, indicaram fontes da reunião.

 

Participaram do encontro, entre outros, o presidente do Conselho Central dos Muçulmanos na Alemanha, Aiman Mazyek, e membros da União Turco-Islâmica e do escritório de religião Ditib.

 

As mesmas fontes assinalaram que o encontro teve um ambiente cordial para superar as críticas dirigidas contra o papa há cinco anos, quando em um discurso na localidade alemã de Regensburg, Bento XVI situou os muçulmanos e o Islã próximos à violência.

 

Vivem na Alemanha entre 3,8 e 4,3 milhões de muçulmanos, dos quais 45% têm cidadania alemã e mais de 60% são originais da Turquia.

 

Agenda. Na sequência, Bento XVI se deslocou à cidade de Erfurt, onde promoverá um encontro com a cúpula da Igreja Evangélica. A reunião tem um grande valor simbólico por acontecer na cidade na qual estudou o reformador protestante Martinho Lutero.

 

Em uma jornada de caráter ecumênico, o papa se reunirá na cidade do reformador Martinho Lutero com a cúpula do Conselho da Igreja Evangélica na Alemanha, com a qual oficiará uma missa conjunta.

No sábado, Bento XVI viajará à cidade de Freiburg, onde passará os dois últimos dias de sua viagem, quando realizará vários encontros e missas antes de retornar a Roma, na tarde de domingo.

 

O papa afirmou ontem que o encontro ecumênico em Erfurt é o "ponto central" de sua viagem, já que os cristãos têm a missão de apresentar a mensagem de Cristo ao mundo. "Os católicos e protestantes devem trabalhar juntos. É um elemento fundamental de nosso tempo secularizado", disse.

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