Berlim aguarda visita do papa Bento XVI com protestos

Serão realizadas cerimônias religiosas paralelas por movimentos críticos e manifestações contra discurso do papa no parlamento

Efe

21 Setembro 2011 | 13h22

 

BERLIM - A primeira visita de Joseph Ratzinger como papa à capital alemã é aguardada com gestos de protesto, desde uma manifestação contra seu discurso no parlamento (Bundestag) até a convocação de cerimônias paralelas por parte dos críticos do catolicismo.

 

Em 20 de abril de 2005, o jornal Bild publicou uma capa com a frase Wir sind Papst, ou "Nós somos o papa", mas a escolha de Ratzinger como sucessor de Karol Wojtyla não foi aceita por alguns, que prefeririam um representante da ala mais modernizadora.

 

"Milhões de católicos separados e casados de novo, assim como milhões de pessoas de outros grupos, esperam do papa uma mensagem libertadora", afirmou o presidente alemão, Christian Wulff, ao jornal Die Zeit. Ele mesmo é católico praticante e casado pela segunda vez.

 

Wulff receberá Ratzinger nesta quinta-feira. Já o prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, homossexual assumido, será anfitrião do papa na Prefeitura.

 

Wowereit expressou simpatia pelas manifestações e lamentou não poder participar por ser o anfitrião de Bento XVI. Vários deputados da oposição social-democrata, Partido Verde e A Esquerda boicotarão a sessão do parlamento para participar da manifestação.

 

São esperadas cerca de 15 mil pessoas na manifestação convocada por coletivos homossexuais e movimentos laicos.

 

Além disso, serão realizadas cerimônias religiosas paralelas por movimentos críticos como o Wir sind die Kirche (Nós somos a Igreja). Uma paróquia evangélica anunciou a intenção de emprestar seu templo a dois párocos homossexuais católicos suspensos pelo Vaticano.

 

Em Berlim a população católica é minoria, apenas 9,3%, número pouco superior ao índice de 9% da população muçulmana e bem abaixo da média nacional de 30,18%. Desde os tempos da Reforma, a religião evangélica é a dominante.

 

Ratzinger tem diante de si uma complexa situação em sua terceira visita à Alemanha, após a grande recepção que teve no Congresso Mundial da Juventude em Colônia, alguns meses após suceder Wojtyla, e um ano depois, ao visitar a Baviera, sua terra natal e o estado mais católico do país.

 

Merkel celebra visita

 

A chanceler alemã, Angela Merkel, celebrou o aspecto ecumênico que "centrará" a viagem do papa Bento XVI. Merkel lembra que o papa visitará o país da reforma religiosa e que "estamos nos preparando nesta década para comemorar até 2017 os 500 anos da reforma (protestante) na Alemanha".

 

Filha de um pastor protestante, a chanceler alemã considera importante "reafirmar nos tempos atuais a unidade dos cristãos, já que avança a secularização e a comunidade da fé cristã deveria ser recordada várias vezes".

Mais conteúdo sobre:
papa Alemanha visita

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.