Besouro transforma floresta canadense em emissor de CO2

A infestação pelo inseto atinge cerca de 133 mil quilômetros quadrados de pinheiros canadenses

Associated Press,

23 de abril de 2008 | 16h55

Um infestação de besouros em pinheiros no Canadá está fazendo mais que destruir milhões de árvores: por volta de 2020, os besouros terão causado tanto dano que a floresta passará a ser um emissor líquido de dióxido de carbono, de acordo com uma nova pesquisa.   O estudo, encabeçado por Werner Kurz, do Serviço Florestal Canadense, estima que, ao longo de 21 anos, as árvores mortas pela epidemia de besouros poderão emitir cerca de 990 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera - quase o equivalente a cinco anos de emissões do setor de transportes canadense.   A infestação atinge cerca de 133 mil quilômetros quadrados de pinheiros canadenses. Os besouros também já mataram árvores em partes dos EUA, incluindo 6 mil quilômetros quadrados no Colorado. "Quando as árvores são mortas, deixam de ser capazes de retirar carbono da atmosfera. Quando mortas, começam a se decompor, o que libera dióxido de carbono", disse Kurz.    Isso poderá exacerbar o aquecimento global que estimulou a infestação, em primeiro lugar. Temperaturas mais elevadas permitiram aos besouros sobreviver em latitudes mais altas e maiores altitudes. "Este é o tipo de feedback que nos preocupa muito no ciclo do carbono: um planeta mais quente que leva a, neste caso, uma infestação de insetos que libera mais carbono na atmosfera, o que pode elevar o aquecimento", disse um cientista especializado em ciclo do carbono, Andy Jacobson, da Administração Nacional de Oceano e Atmosfera (NOAA) dos EUA.   As florestas boreais do Canadá eram consideradas "sumidouros de carbono", absorvendo mais CO2 do que emitindo. A equipe de Kurz espera que as florestas estudadas se recuperem, mas não que voltem a ser os sumidouros que eram. "O efeito de longo prazo me parece assustador", disse Jacobson, que não tomou parte no estudo, publicado na revista Nature.

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