Biodiesel poderá ser utilizado no País

A Petrobras está apoiando, junto com outras financiadoras, um projeto de pesquisa de combustível de óleos vegetais, o biodiesel, para misturá-lo ao óleo diesel, o que reduziria a emissão de gases poluentes na atmosfera e também as importações. O biodiesel já é comercializado em outros países como Alemanha, França e Estados Unidos. "Os investimentos no projeto em 2001 e 2002 são de R$ 1 milhão, mas pesquisa é sempre mais cara mesmo", diz o coordenador executivo do projeto, Luciano Basto Oliveira, pesquisador da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "O custo do biodiesel ao consumidor, na Alemanha, por exemplo, onde há uma frota de mais de 100 mil carros a biodiesel, é igual ao do diesel", afirma. O novo combustível pode ser feito de várias matérias-primas facilmente encontráveis em todas as regiões do País como soja, buriti, algodão e óleo de cozinha mesmo já utilizado, entre outros. Segundo o coordenador, qualquer motor a diesel funciona com biodiesel sem necessidade de nenhum tipo de adaptação no carro ou locomotiva.De acordo com o vice-diretor da Coppe-UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, o projeto pesquisa também o uso de 100% de biodiesel nos automóveis, "mas o interesse da Petrobras é que a mistura tenha no máximo 10% de biodiesel para viabilizar uma colocação rápida do produto no mercado". Segundo Pinguelli, "o Brasil hoje não produz óleo vegetal suficiente para ter carros 100% movidos à biodiesel em escala e o produto mais abundante para fazer biodiesel no Brasil é a soja, mas aí concorre com o mercado de exportação".O Brasil importa hoje 10 bilhões de litros de óleo diesel por ano, o correspondente a 30% do consumo nacional do produto, e produz apenas 3,5 bilhões de litros de óleos vegetais anualmente, segundo Oliveira. A autorização para o uso do combustível ainda depende das autoridades competentes. "Estamos negociando com a ANP (Agência Nacional do Petróleo) a liberação das licenças para a mistura do combustível nessa fase inicial e o uso em veículos de testes", informa Fernando Peregrino, presidente da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), entidade que apóia o projeto com R$ 670 mil em três anos, desde 2000. "Estamos trabalhando para dar viabilidade logística e legal ao combustível", afirma.Peregrino considera que "o biodiesel é uma solução para a redução da emissão de gás que provoca o efeito estufa". Em comparação ao óleo diesel, emite 78% menos gás carbônico, um dos causadores do efeito estufa, e não emite enxofre, que provoca chuva ácida e problemas respiratórios. No mês que vem começam a circular 10 carros de teste movidos a biodiesel. Um deles foi exposto hoje na Avenida Atlântica, em Copacabana, em frente ao Copacabana Palace, onde começa nesta segunda-feira o seminário Rio 02 - evento mundial sobre mudanças climáticas e energias renováveis, que terá na solenidade de abertura os ministros das Minas e Energia, José Jorge, e da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardemberg. O carro exibido em Copacabana usa 5% de biodiesel e irá recolher e transportar óleo usado para fritar batatas em 45 lanchonetes da rede Mc Donalds região metropolitana do Rio de Janeiro, de segunda a sexta-feira durante o horário comercial. A lanchonete vai doar mensalmente 25 mil litros de óleo das batatas fritas durante dois anos para ser utilizado na produção de biodiesel."Com o biodiesel, o carro tem desempenho cerca de 3% menor, porque a aceleração é maior, mas a velocidade final é menor. Em compensação, é bem menos poluente", diz Oliveira.

Agencia Estado,

06 de janeiro de 2002 | 16h00

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