Bird endossa tese de que miséria leva a danos ecológicos

O vice-presidente do Banco Mundial (Bird) para Desenvolvimento Sustentável, Ian Johnson, endossou a visão que deve predominar na Cúpula de Johannesburgo, segundo a qual o combate à pobreza deve ser a via principal para a solução dos problemas do meio ambiente. Em entrevista coletiva depois da abertura oficial da conferência, Johnson defendeu a tese de que a questão da pobreza está no ?coração? do problema do desenvolvimento sustentável. ?Em 2015, a economia mundial terá crescido quatro vezes?, previu ele, argumentando que o meio ambiente será severamente afetado se esse crescimento ocorrer de acordo com os ?padrões atuais? de desenvolvimento. ?Precisamos de uma nova forma de crescimento inteligente, com respeito pelos recursos naturais e socialmente responsável?. Johnson passou em seguida a falar sobre a agricultura nos países em desenvolvimento, que tem levado à ?degradação do solo?. Os programas do Banco Mundial, segundo o vice-presidente, ficarão prioritariamente focados no desenvolvimento sustentável, sobretudo na área da agricultura. Da parte dos países ricos, Johnson defendeu a eliminação dos subsídios agrícolas, que, segundo ele, somam US$ 350 bilhões ao ano. ?O Bird não é contra os subsídios, mas contra os subsídios ineficientes, inclusive nos países pobres.? O Bird criou um Departamento de Comércio, encarregado de fazer estudos sobre o impacto dos subsídios. O vice-presidente explicou que em muitos casos o que é necessário é melhorar a infra-estrutura dos países pobres e sua produtividade, em vez de simplesmente conceder subsídios. ?A produtividade de um agricultor africano é um terço da de um asiático?, declarou Johnson. ?É preciso uma revolução agrícola na África.? Veja o Especial Rio+10

Agencia Estado,

26 de agosto de 2002 | 13h28

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.