Bispos falam sobre perigos de leitura fundamentalista da Bíblia

Essa preocupação está presente 'Instrumentum Laboris' da próxima reunião de bispos do Vaticano

Efe

12 de junho de 2008 | 14h44

Os bispos da Igreja Católica estão preocupados com o desconhecimento da Bíblia entre os fiéis e lançam advertências sobre o perigo de interpretações "fundamentalistas" ou equivocadas do Antigo e do Novo Testamento.   Estas preocupações estão contidas no Instrumentum Laboris (documento de preparação) do próximo Sínodo, reunião de bispos que será realizada entre 5 e 26 de outubro no Vaticano sob o tema "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja".   O Instrumentum Laboris, divulgado nesta quinta-feira, 12, pelo Vaticano, é elaborado com as respostas às perguntas (Lineamenta) que a Secretaria-geral do Sínodo dos Bispos enviou no ano passado às Conferências Episcopais do todo o mundo.   O texto, de 84 páginas, reúne as metas dos bispos para o próximo Sínodo e suas reflexões, experiências e dúvidas sobre o tema, que servirá de orientação para as reuniões.   "A Bíblia é o livro mais traduzido e divulgado no mundo, mas não é muito lido", diz na apresentação do documento o secretário-geral do Sínodo dos Bispos, Nikola Eterovic.   A preocupação dos bispos foi confirmada pelo último estudo realizado pelo instituto italiano Eurisko para a Federação Bíblica Católica, lembrado pelo Vaticano. Nesta avaliação foi constatado o desconhecimento da Bíblia pelos católicos, sua pouca leitura e o fato de que mais de 50% consideram as Escrituras Sagradas um livro difícil de ser lido.   Por isto, no Instrumentum Laboris os bispos advertem sobre "a necessidade urgente de superar a indiferença, a ignorância e a confusão sobre as verdades da fé sobre a Palavra de Deus".   Os bispos pedem "coragem e criatividade" para renovar o ensino da Bíblia, que leve em conta "o tempo presente, as diferentes culturas e os contextos de vida atuais".   Além disso, dizem que é necessário relançar a leitura da Bíblia, "considerada em sua totalidade", em diferentes ambientes, mas "privilegiando as celebrações litúrgicas e principalmente a missa dominical".   Durante o Sínodo, os prelados debaterão a falta de preparação de alguns sacerdotes durante as homilias que explicam as várias passagens da Bíblia e estudarão a possibilidade de "cursos de atualização na formação de padres".   Outro dos assuntos que será tratado na assembléia dos bispos será "o risco" das "más e arbitrárias" interpretações do texto.   Os bispos alertam no documento que alguns destes riscos acontecem por causa de um "fundamentalismo cristão" no qual, "por um lado, expressou o desejo de permanecer fiel às Escrituras, e, por outro, pelo desconhecimento da natureza particular dos textos, incorrendo em graves erros e gerando conflitos inúteis".   Também destacam como risco as chamadas "leituras ideológicas da Bíblia", baseadas em interpretações "espirituais, sociais e políticas".   Sobre este ponto, os bispos confrontarão no Sínodo a chamada Teologia da Libertação, criticada pela maior parte da Igreja e pelo papa Bento XVI por ter uma hermenêutica diferente da Bíblia.   O último Sínodo foi realizado em outubro de 2005 sob o tema "A Eucaristia, fonte e ápice da vida e da missão da Igreja".   A incógnita volta a ser se os bispos chineses participarão deste Sínodo, já que o Governo de Pequim não autorizou sua viagem a Roma em 2005.   Sobre a presença dos prelados chineses, Eterovic se limitou hoje a dizer que espera "que possam estar aqui".

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