Bolsa de couro vegetal amazônico vira acessório de bicicleta

Dois novos modelos de bicicletas da empresa holandesa Giant, equipados com bolsas de couro vegetal da Amazônia, foram apresentados hoje no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, durante o lançamento do catálogo da exposição Negócios para Amazônia Sustentável. As bolsas foram produzidas no Brasil por meio de uma parceria entre a empresa Amazon Life, o WWF-Brasil, o Instituto Nawa e comunidades seringueiras do Acre e do Amazonas, especialmente para os modelos Brasil Bike e EZB da Giant, que devem chegar às lojas da Holanda ainda este mês.O produto é um exemplo dos negócios criados pela exposição, que acontece desde dezembro e exigiu um ano de pesquisas para apresentar 69 experiências de desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal, que vão de produtos de madeira certificada, borracha, artesanato indígena, produtos gastronômicos e ecoturismo. "O objetivo da exposição e do catálogo é testar o mercado e promover esses produtos no sul do País, diminuindo a distância entre produtor e consumidor e estimulando parcerias comerciais", diz Beatriz Saldanha, presidente da Amazon Life e coordenadora da exposição, aberta até o próximo mês.O projeto é do Ministério do Meio Ambiente e conta com apoio financeiro e técnico do WWF-Brasil e do Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7), além da Amigos da Terra - Programa Amazônia e Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Segundo Beatriz, durante os seis meses da exposição, foram vendidos cerca de R$ 250 mil em produtos e gerada uma lista de 40 lojistas, do Brasil e do exterior, interessados nos produtos no atacado.InovaçãoO couro vegetal Treetap, feito com borracha natural e utilizado nas bolsas das bicicletas, é resultado de uma parceria de 12 anos entre a empresa carioca Amazon Life e comunidades e associações de produtores amazônicos, que desenvolveram a tecnologia e o design do produto e detêm sua patente. Além das 10 mil bolsas já entregues à Giant, o Treetap já foi exportado, em lâminas de couro vegetal, para a empresa francesa Hermés Sellier e está presente em grifes brasileiras como Cantão, Será o Benedito e Osklen.A produção do couro vegetal agrega cerca de mil pessoas (200 famílias), da Associação dos Seringueiros Kaxinawá do Rio Jordão (Acre), da Associação dos Seringueiros e Agricultores da Reserva Extrativista do Alto Juruá (Acre) e Associação de Produtores de Artesanato e Seringa (Amazonas). Segundo a presidente da Amazon Life, o projeto é responsável por uma significativa melhoria na qualidade de vida dessas comunidades. "No mercado convencional, o quilo da borracha é vendido por R$ 1,40 enquanto na produção do Treetap, o quilo gera entre R$ 8 a R$ 24, dependendo do tamanho e da qualidade do produto", conta.Outra mudança para os produtores foi o acesso à cidadania: hoje todos têm documentos e contas bancárias próprias, além de acesso a linhas de crédito do programa de Apoio ao Desenvolvimento do Extrativismo (Prodex), do Banco da Amazônia (Basa). Para garantir a produção sustentável do couro vegetal, as unidades florestais do projeto estão em processo de certificação pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC).Annelies Diederik, gerente de marketing da Giant Europa, acredita que o sucesso do produto é garantido porque seus clientes são pessoas sensíveis às questões ambientais. "A bicicleta é um dos meios de transporte mais ambientalmente corretos que existem. Ao comprar um bicicleta equipada com uma bolsa de couro vegetal, o consumidor estará também dando sua contribuição para manter a Florestal Amazônica".

Agencia Estado,

13 de junho de 2003 | 17h44

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