Bombeiros tentam controlar fogo em Alcatrazes

O incêndio que começou no Arquipélago de Alcatrazes, em São Sebastião, Litoral Norte, na última terça-feira, ganhou novas proporções na madrugada desta sexta. Segundo moradores da costa sul de São Sebastião, era possível avistar durante à noite um rastro de fogo na ilha, considerada uma das mais ricas em fauna e flora do Estado de São Paulo."Apesar da distância, pudemos ver as labaredas e um rastro vermelho de fogo", contou o presidente da Associação Ecológica U na Eco Náutica, Adria Fuhrhaussen. Ele e outros ambientalistas acreditam que pelo menos um terço da ilha principal do Arquipélago de Alcatrazes tenha sido destruído pelo fogo. "Não dá para saber exatamente, mas queimou durante toda a madrugada e pelo menos trinta por cento foi atingido". Alcatrazes fica a pelo menos 40 quilômetros da costa marítima e é protegido pela Marinha do Brasil, onde também são realizados treinamentos. O início do fogo começou na terça-feira quando dois navios da Marinha estavam em treinamento. Segundo nota oficial do Departamento de Comunicação da Marinha, assinada pela Tenente Cláudia Dadoorian, o fogo estava controlado na manhã de quarta-feira, mas que em nova inspeção, foi constatado outro foco.Para controlar a situação foram convocados 48 homens do Corpo de Bombeiros de São Paulo, de Caraguatatuba e do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente), além dos soldados da Marinha e Defesa Civil. Eles seguiram para a ilha de helicópteros e realizaram o rescaldo do incêndio. A operação terminou com a chegada da noite, mas ninguém da Marinha quis dar detalhes sobre os prejuízos ambientais do incêndio.O local possui um dos maiores e mais ricos ninhais de aves do sudeste brasileiro, além de ser local de pouso de aves migratórias e local de alimentação e reprodução de mamíferos marinhos. "Existem lá 16 espécies endêmicas, que só existem naquele local". A chuva ajudou a cessar o incêndio. "Estamos aguardando que os técnicos do Ibama nos informem sobre os prejuízos", Eduardo Hipólito do Rego, advogado e ambientalistas.O assunto foi discutido na quinta, durante uma reunião do Comitê de Bacias Hidrográficas do litoral norte. Os ambientalistas fizeram um abaixo-assinado pedindo o fim dos exercícios de treinamento de tiro de soldados no local. Na segunda-feira, o assunto será levado ao Ministério Público Federal pelos ambientalistas. "Estamos abalados, chocados com o que aconteceu e agora retomamos a polêmica de interromper os exercícios de tiro naquele local" afirmou o advogado. "Imaginem se todos os exércitos do planeta precisassem de ilhas ecológicas com animais em extinção para fazer treinamentos", questiona o advogado.

Agencia Estado,

03 de dezembro de 2004 | 19h50

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