Botânicos descobrem palmeira gigante 'suicida'

Árvore de Madagascar tem 20 metros de altura; produção de flores leva a autodestruição.

Jonny Hogg, BBC

17 de janeiro de 2008 | 07h30

Botânicos anunciaram a descoberta em Madagascar de uma espécie de palmeira gigante "suicida", que se autodestrói. A planta é tão grande que pode ser vista em fotos tiradas por satélite.A palmeira, que só existe em uma área remota no noroeste da ilha, não se assemelha a nada encontrado antes em Madagascar, que fica na costa sudeste da África.Embora moradores de vilarejos conheçam a planta há vários anos, eles nunca a tinham visto produzir flores.Quando isso aconteceu no ano passado, os botânicos descobriram que a árvore gastou tanta energia na criação de flores que morreu.'Espetacular'Com 20 metros de altura e folhas com cinco metros de comprimento, esta é a árvore mais alta do tipo no país. Durante a maior parte de sua vida - estimada em cem anos - a planta não tem uma característica muito distinta, além de seu tamanho.Só quando botânicos do Kew Gardens, de Londres, foram informados de seu padrão extraordinário de produzir flores é que começaram a se interessar pela vegetação."É espetacular", disse Mijoro Rakotoarinivo, que trabalha em Kew Gardens e viu a planta. "Primeiro há apenas um longo caule como um aspargo no topo da árvore e, então, poucas semanas depois, este caule incomum começa a apodrecer", conta. "No final deste processo, você pode ver algo como uma árvore de Natal."Lugar 'intrigante'Os galhos então ficam cobertos de centenas de flores minúsculas, que contêm pólem e se transformam em frutas.Mas a árvore gasta tanta energia ao produzir flores que acaba morrendo.John Dransfield, que anunciou a nova descoberta, está intrigado em saber como a árvore cresceu em Madagascar.A planta da ilha na costa africana tem alguma semelhança com uma palmeira encontrada na Ásia, a uma distância de 6 mil quilômetros.É possível que a palmeira, da qual existem menos de cem exemplares, tenha passado por uma notável evolução desde que Madagascar se separou da Índia, há cerca de 80 milhões de anos.Espera-se agora que a planta seja conservada e que a venda de suas sementes possa produzir renda para o povo que vive nas suas proximidades.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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