Botucatu coleta embalagens contaminadas

A morte de um menino de 11 anos, em outubro do ano passado, envenenado por agrotóxicos, deflagrou uma campanha de coleta de embalagens vazias contaminadas, no município de Botucatu, interior de São Paulo. O menino encontrou uma lata de alumínio vazia no campo e, sem saber do que se tratava, encheu de água e bebeu, vindo a falecer, vítima de intoxicação aguda. Fatalidades como esta motivaram a criação da Lei dos Agrotóxicos, que desde julho de 2002, obriga os revendedores de químicos agrícolas a recolher as embalagens vazias dos produtos vendidos, no prazo máximo de um ano. ?A lei é ótima, mas o sistema de devolução ainda está desestruturado e ninguém sabe o que fazer com as embalagens de produtos adquiridos antes de sua entrada em vigor?, comenta Alfredo Chaguri Jr, diretor do Escritório de Desenvolvimento Rural de Botucatu. Por isso, ele coordenou uma campanha de coleta, dirigida especialmente a pequenos agricultores, em parceria com a Prefeitura Municipal de Botucatu e o Sindicato Rural de Buri, cidade localizada a 200 km de distância. Após uma ampla divulgação nos programas de TV e rádio e nos jornais locais, foram recolhidas 50 mil embalagens vazias de agrotóxicos, algumas guardadas há 20 anos, enchendo 6 caminhões e duas carretas. ?Demos uma espécie de ?anistia? para os produtores com embalagens sem nota, porque o objetivo era limpar o campo, minimizando as chances de contaminação de cursos d?água e os riscos à saúde?, continua Chaguri. ?E incluímos embalagens de produtos veterinários, que não têm lei específica, porém muitas vezes são fabricados com os mesmos princípios ativos dos venenos agrícolas e, portanto, oferecem o mesmo risco?.As embalagens foram transportadas até Buri, onde o Sindicato Rural tem estrutura para reciclagem ou incineração, conforme o caso. Algumas embalagens plásticas podem ser transformadas em conduítes ou materiais que não entram em contato com água, ou mesmo em novas embalagens de químicos. As demais são incineradas em alto forno.Os resultados da campanha de coleta serão apresentados amanhã (14/2) em uma solenidade preparada pelos pequenos agricultores beneficiados. Os técnicos ainda aproveitaram a campanha para instruir os produtores quanto ao procedimento a ser seguido, daqui para frente: as embalagens devem ser lavadas três vezes, assim que o produto termina, utilizando-se esta água de lavagem na diluição do veneno, dentro dos pulverizadores, para evitar contaminação local. Além disso, as embalagens lavadas devem ser inutilizadas, com a perfuração do fundo.?Agora pretendemos continuar a campanha, envolvendo os revendedores, os fabricantes, o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev) e a Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), responsáveis, de acordo com a lei, pelo recolhimento e destinação final das novas embalagens?, acrescenta Chaguri. Segundo ele, o sistema de coleta ainda precisa ser simplificado, para não obrigar o produtor a andar até 120 km para devolver a embalagem vazia.

Agencia Estado,

13 de fevereiro de 2003 | 15h33

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.