Brasil aprendendo a conviver com o mexilhão dourado

Dez anos depois de chegar à América do Sul, o mexilhão dourado (limnoperna fortunei) está deixando de ser tema exclusivo de cientistas para ser tratado também como um problema econômico. Pesquisadores participantes do Fórum Internacional das Águas alertaram, nesta quinta-feira, em Porto Alegre, que as regiões ainda não invadidas pelo pequeno molusco originário do sudoeste asiático devem se prevenir contra a chegada do animal. A receita é controlar as pequenas embarcações que navegam rios acima, sobretudo a partir dos estuários do Guaíba e do Prata, e, se for o caso, retirar os mexilhões do casco dos barcos.Depois de instalado em rios, estações de tratamento de água, represas e usinas hidrelétricas, o mexilhão causa diversos prejuízos econômicos e um desequilíbrio ainda não mensurado nos ecossistemas. Também se torna habitante permanente do local, tanto que os técnicos não trabalham mais com as hipóteses de eliminação ou expulsão. Apenas estudam formas de controlar a proliferação e de manter o equilíbrio do meio ambiente.Entre os relatos mais conhecidos dos transtornos provocados pelo molusco está o da usina de Yaciretá, onde as operações de limpeza exigem diversas caçambas para transportar as colônias retiradas do concreto. Itaipu também tem prejuízos a contabilizar. A manutenção das turbinas, que era feita a cada ano e meio, passou a ser feita a cada doze meses desde 2001, quando foi constatada a presença do mexilhão.?Já retiramos até 80 mil indivíduos por metro quadrado?, conta a responsável pelo laboratório ambiental da usina, Leonilda Correia dos Santos.A mexilhão chegou às águas argentinas e brasileiras na água do lastro e nos cascos de navios originários da Ásia no início da década passada.De portos como os de Buenos Aires, Rio Grande e Porto Alegre, o molusco foi transportado para o interior dos países em pequenas embarcações que não se submetem a controle sanitário.A utilização do mexilhão dourado na alimentação humana não é considerada viável. Como ele é um filtro natural da água pode reter bactérias, entre as quais a salmonela, e metais pesados. Mas é provável que o molusco entre na alimentação dos peixes. Mesmo que a criação do molusco em águas limpas, para consumo, pudesse ser considerada, haveria outro tipo de dificuldade para transforma-lo em alimento humano. ?Ele é muito pequeno e muito fibroso?, descreve a professora Maria Cristina Mansur, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

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