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Brasil conclui seqüenciamento de citros

Pesquisadores de uma rede de instituições que fazem parte do projeto Instituto do Milênio, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), encerram o mapeamento genético funcional e comparativo dos citros, um estudo que demorou dois anos e meio e custou R$ 4,4 milhões. Os primeiros resultados serão discutidos nesta semana, em um encontro de trabalho do grupo de pesquisa, e os dados finais serão apresentados em outubro, durante uma reunião dos 15 Institutos do Milênio.Na pesquisa sobre citros, a única na área agrícola desta rede de projetos do MCT, foram feitas cerca de 200 mil seqüências de genes das principais frutas e suas variedades, com laranja, lima, tangerina e limão, um banco de dados quatro vezes maior do que qualquer outro existente até agora no mundo.Entre os genes identificados estão, principalmente, os relacionados e resistentes às principais doenças e pragas da citricultura, bem como os que determinam uma maior resistência à seca e ainda outros ligados às diferentes característi cas do fruto e do suco, como cor, teor nutricional e acidez, por exemplo.Na prática, os pesquisadores estão aptos a desenvolver variedades dessas frutas resistentes às doenças e pragas que ameaçam o parque citrícola brasileiro, o maior do mundo - com cerca de 300 milhões de plantas cítricas. Com isso, o Brasil não será apenas o maior produtor mundial de frutas cítricas e de suco de laranja, mas também líder mundial nas pesquisas científicas do setor, que movimenta US$ 10 bilhões por ano e gera US$ 1,5 bilhão de exportações. Ponto exatoO fato de o trabalho ser focado no genoma expresso e comparativo dos citros é fundamental para que sejam geradas informações específicas sobre essas doenças, como por exemplo o ponto exato da seqüência no qual está o gene relacionado a uma praga. Em seguida, é feita uma comparação com o mapa genético de uma planta cítrica sadia.Apesar de ter como foco principal a guerra genética às doenças, os resultados das pesquisas possibilitarão ainda o desenvolvimento de variedades de frutas cítricas com mais vitaminas, com cores mais fortes, e até mesmo com o gosto preferido pelo consumidor."Até agora, o cliente da fruta ou do suco tem de se adaptar ao gosto. No futuro, a indústria poderá se adaptar ao cliente e fazer um suco quase que persona lizado", explicou Gustavo Astua-Monge, um dos pesquisadores do projeto.Além do Centro de Citricultura paulista, fazem parte do projeto mapeamento genético e funcional dos citros a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Paraná, o Instituto Biológico e a Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais.

Agencia Estado,

30 de agosto de 2004 | 13h51

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