Brasil desenvolve seu primeiro "nariz eletrônico" capaz até de identificar gases

Chamada de nariz eletrônico, uma caixa de aproximadamente 25 centímetros por 10 centímetros, com uma pequena ?tromba?, é capaz de diferenciar cheiros, analisar qualidade de produtos e identificar vazamentos gasosos. O sistema, desenvolvido pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é uma das novidades a serem apresentadas no Brasiltec 2003, que será realizado de 29 de julho a 2 de agosto no Expo Center Norte, em São Paulo.Formado por sensores especiais de polímeros condutores (plásticos condutores de eletricidade), o sistema tem uma programação baseada em redes neurais artificiais que tentam imitar - embora de forma precária - o funcionamento da rede de neurônios humana, aprendendo a distinguir odores. Atualmente em testes na Refinaria Gabriel Passos (Regap), da Petrobras, no controle de qualidade da aguarrás (forte solvente que contém uma mistura de substâncias derivadas do petróleo), o nariz tem acertado em 70% dos casos.Um dos seus criadores, o professor Francisco Luiz dos Santos, da Unicap, afirma que o "nariz" ainda está sendo aperfeiçoado e tem muito a aprender. Sua eficiência é bem maior, por exemplo, na diferenciação de safras de vinho tinto - o que é menos complicado do que detectar a mistura de substâncias da aguarrás -, mas o objetivo é chegar a 99,9% de acertos.O sistema também necessita, ainda, ser acoplado a um computador para cumprir sua tarefa, mas já existe um projeto de simplificação do manuseio, bastando o toque de um botão para que o resultado da análise apareça na tela. Por enquanto, o resultado da análise é apresentado pelo nariz eletrônico de forma codificada.O nariz eletrônico não chegou ao mercado, mas sua aplicação é ampla. Ele pode vir a ser usado na medicina, na detecção de doenças por meio do odor da pele ou do hálito; na agricultura (indicando tempo de amadurecimento de frutas, por exemplo); na detecção de explosivos e até drogas. Existem narizes eletrônicos no mundo, mas no Brasil este é o único genuinamente nacional.O custo do projeto, financiado pela Finep e CNPq, foi de cerca de R$ 1 milhão, utilizado em pesquisas, formação de pessoal e protótipos. O nariz eletrônico começou a ser construído em 1995.

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