Brasil enriquece urânio a partir de julho

O início em julho da produção em escala comercial de urânio enriquecido pela fábrica da Indústrias Nucleares do Brasil (INB) em Resende (RJ), abrirá para o Brasil a capacidade de, a longo prazo, competir no restrito mercado mundial do combustível nuclear, que movimenta milhões de dólares, e em condições privilegiadas.O País tem uma das maiores jazidas de urânio do mundo, domina todo o ciclo de produção do combustível nuclear e agora passará a produzi-lo comercialmente, para atender às necessidades das usinas de Angra 1 e 2.No futuro, poderá optar pela disputa internacional, pela venda de serviços de enriquecimento ou simplesmente continuar produzindo para consumo próprio. A produção comercial foi viabilizada por meio de um contrato de US$ 130 milhões, assinado pela INB e o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP).A Marinha vai fornecer à INB assistência técnica e as ultracentrífugas (máquinas), que são utilizadas no processo de enriquecimento de urânio. O CTMSP é o órgão responsável pelo Centro Experimental Aramar - unidade de pesquisas localizada em Iperó (SP), onde a Marinha desenvolve seu programa de construção do submarino nuclear com tecnologia nacional.De acordo com a INB, a produção inicial será de 20 toneladas ao ano de urânio enriquecido. O contrato com a Marinha prevê que, em quatro ou cinco anos, a produção alcance 120 toneladas ao ano, metade das necessidades de Angra 1 e 2, de 240 toneladas/ano. Hoje, o urânio usado por Angra 1 e 2 é enriquecido no exterior.As 120 toneladas representarão economia anual de US$ 10 milhões para o País. O enriquecimento equivale a 35% do custo de todo o ciclo de produção. O assessor de Comunicação Institucional e Corporativa da INB, Everton Carvalho, disse que dependerá de decisões futuras da empresa a eventual ampliação da produção para além do previsto no contrato.O presidente do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), do Ministério da Ciência e Tecnologia, Cláudio Rodrigues, confirmou que a produção comercial "deixa o País, no futuro, em condições de disputar o mercado com outros países". Ele comemorou a novidade: "A gente fica feliz sabendo que essa tecnologia está chegando no setor produtivo".

Agencia Estado,

24 de maio de 2002 | 22h26

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