Brasil investirá R$ 46,7 milhões em nanotecnologia

Vidros que se limpam sozinhos, roupas que não mancham eprodução de remédios 75% mais barata são apenas três exemplos de ummundo novo que está chegando graças a nanotecnologia, com a qual secria materiais na escala do átomo. O seu potencial é tão grande que omundo investe hoje US$ 2 bilhões por ano em pesquisas e produção deprodutos nanotecnológicos. O Brasil, embora de forma modesta, segue omesmo caminho. Segundo o coordenador do Programa de Nanotecnologia doMinistério da Ciência e Tecnologia (MCT), Alfredo de Souza Mendes, oPaís vai investir no ano que vem R$ 46,7 milhões em nanotecnologia. Mendes participou, nesta terça-feira, do simpósio Novos Materiais eNanotecnologia, na 56.ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para oProgresso da Ciência (SBPC), no qual anunciou também que o Brasildeverá investir, a partir do ano que vem, R$ 30 milhões dos R$ 46,7milhões, na construção do Laboratório Nacional de Micro eNanotecnologia. "O Brasil tem de tornar-se competitivo emnanotecnologia", disse Mendes. "O desafio do novo milênio é aplicaresse conhecimento e transformá-lo em riquezas". Nesse sentido, o objetivo do programa nacional de nanotecnologia édesenvolver novos produtos e processos na área visando o aumento daprodutividade da indústria nacional. Para isso, o Brasil já veminvestindo no setor desde 2001. No ano passado foram R$ 8,7 milhões,empregados basicamente da criação de quatro redes que congregampesquisadores de várias instituições do País. Uma das redes écoordenada a partir da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), umado Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) e duas da UniversidadeFederal de Pernambuco (UFPE).De acordo com Mendes, os investimentos do Brasil não vão parar poraí. Para o quadriênio 2004-2007 estão previstos gastos de R$ 77,7milhões. É o que o País pode disponibilizar, mas é pouco se comparadocom o despendido por outros países. Em apenas um ano, em 2002, porexemplo, o Japão investiu US$ 1 bilhão, a Europa, US$ 450 milhões e osEstados Unidos, 422 milhões. "Calcula-se que daqui a 15 anos, ananotecnologia vai gerar negócios no valor total de US$ 1 trilhãoanuais", disse Mendes.Apesar dos recursos serem modestos, pesquisadores brasileiros já têmresultados para mostrar na área de nanotecnologia. É o caso de ElsonLongo, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que participoudo mesmo simpósio no qual falou Mendes. "Nós desenvolvemos um materialpara memórias de computador com uma capacidade de armazenamento 250vezes maior do que silício, que é usado hoje", disse. "Já existem duasmultinacionais interessadas em comprar essa tecnologia. Também criamos,a pedido da John Faber, um grafite para lápis mais macio que o comum.Como conseqüência a empresa contratou seis de nossos pesquisadores."

Agencia Estado,

20 de julho de 2004 | 20h03

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