Brasil não verá próximo trânsito de Vênus, em 2012

O raro fenômeno que ocorreu na madrugada desta terça-feira, das 2h13 às 8h25 (de Brasília), com o alinhamento de Vênus, Sol e Terra, em uma espécie de minieclipse, pôde ser visto no Brasil onde as condições climáticas permitiram.O trânsito de Vênus, como é chamado o fenômeno, ocorreu pela última vez em 1882 e vai se repetir em 2012 - mas não será visível em território brasileiro. Uma nova chance só em 2117 e 2125.Desta vez, no Brasil, foi possível observar só a fase final do alinhamento, por volta das 6 horas. Vênus surgiu como um pequeno ponto passando lentamente no hemisfério sul do Sol.DescobertasDe acordo com o analista de assuntos científicos da BBC Richard Black, o fenômeno foi um dos mais aguardados pelos astrônomos neste ano.Um motivo é o significado histórico do trânsito: observações do fenômeno nos séculos 16 e 17 permitiram aos cientistas descobrir alguns dos fatos básicos sobre o Sistema Solar, como a distância entre a Terra e o Sol.A observação também permitiu determinar que Vênus era de fato um planeta como a Terra, e que Vênus tinha uma atmosfera.Cientistas aproveitaram o trânsito para testar equipamentos que poderão, um dia, ser usados para detectar planetas que orbitam outras estrelas.Oriente MédioNo Oriente Médio, região do globo melhor posicionada para a observação do trânsito de Vênus, o fenônemo foi observado por milhares de pessoas nas ruas, apesar do calor de 44 graus em algumas localidades.Ali o fenômeno pode ser visto em toda a sua duração, de cerca de seis horas, o que virou atividade didática em escolas e universidades, além, claro, de objeto de trabalho em observatórios astronômicos."É como uma formiga andando devagarinho sobre a Terra", comparou Hala Kaiksow, 13 anos, que observava no fenômeno no câmpus da Universidade de Bahrain, na Arábia Saudita.No Líbano, muitas pessoas subiram montanhas para observar, na Jordânia o local preferido foi o deserto e no Egito, a região das pirâmides.Programas especiaisEm todo o mundo, planetários fizeram programas especiais de observação, também orientando as pessoas sobre a necessidade de usar filtros ou películas atenuadoras nos binóculos e telescópios (para não ferir a retina).Muitos fizeram do momento uma oportunidade para rezar e pensar no futuro da humanidade. "Isso nos ensina sobre o universo e Deus", disse Nemr Ramzi, um palestino de 10 anos.Para o astrônomo mexicano PabloLoera Gonzales, da Mexico and the American University, no Cairo, a oportunidade de observação foi histórica. "O Mexico participou ativamente do evento em 1874, com uma expedição de observadores enviada ao Japão.Ele lembrou que, em 1874 e 1882, apenas umas 200 pessoas no mundo puderam observar o fenômeno. "Hoje, com a tecnologia disponível, milhões de pessoas estão podendo participar desse momento fantástico."

Agencia Estado,

08 de junho de 2004 | 09h03

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