Brasil nega que agronegócio devaste Amazônia

O Ministério da Agricultura divulgou hoje uma nota contestando notícias divulgadas recentemente na imprensa internacional de que o crescimento do agronegócio estaria ligado ao desmatamento da Amazônia. ?Quanto mais o agronegócio brasileiro mostra desempenho alvissareiro e se projeta no cenário mundial, mais organizações não governamentais estrangeiras e veículos da imprensa internacional publicam reportagens vinculando o crescimento do setor, principalmente soja e pecuária, a desmatamentos da Amazônia?, diz a nota.Para o ministério, há fortes indícios de que muitas dessas matérias têm o objetivo de prejudicar o agronegócio brasileiro perante o mundo. ?Como se não bastassem as barreiras tarifárias e sanitárias que países como o Brasil enfrentam no comércio internacional, tem-se notado uma crescente preocupação dos países desenvolvidos em tentar introduzir, como regras de comércio, temas normalmente alheios à área, como meio ambiente e questões trabalhistas", afirma a nota do ministério.Para o governo brasileiro, "é inevitável a suspeição de que tais reportagens refletem o incômodo que o crescimento do agronegócio brasileiro está causando aos seus concorrentes internacionais", que segundo o ministério, são "os beneficiários do protecionismo dos países desenvolvidos".O governo cita números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para ressaltar que na Amazônia Equatorial foram plantados na safra 2003/04 645,5 mil hectares com algodão, arroz, milho e soja, o que representa 0,13% da área total da Amazônia Legal, de 500 milhões de hectares. Mesmo se considerarmos a área plantada com essas culturas em toda a Amazônia Legal, na safra 2003/2004 foram cultivados 9 milhões de hectares, significando 1,8% da área. No caso específico da soja, a área cultivada na Amazônia Equatorial foi de 34,5 mil ha, o que representa 0,16% da área total plantada em 2003/2004, de 21.119,9 mil hectares.

Agencia Estado,

25 de maio de 2004 | 17h05

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.