Brasil pedirá na Rio+10 ajuda dos ricos na defesa do meio ambiente

Liderada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, a delegação brasileira que vai participar da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+10, na África do Sul, desembarcará em Johannesburgo preocupada em manter conquistas obtidas há uma década, na Rio-92. Num cenário internacional menos favorável à cooperação, o governo insistirá na cobrança de maior ajuda dos países ricos para o financiamento de projetos antipoluição.O Brasil tentará alcançar o consenso em torno de propostas que esbarram nos Estados Unidos e países produtores de petróleo, como a meta de que até 2010 a matriz energética mundial esteja utilizando pelo menos 10% de fontes renováveis. Hoje esse índice é de 2,2%. A Rio+10, entre os dias 26 de agosto e 4 de setembro, terá como desafio criar mecanismos para tirar do papel e financiar propostas de desenvolvimento sustentável. Nos dias 24 e 25 acontecem as reuniões pré-cúpula.O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ainda não confirmou participação, o que ilustra as dificuldades de se alcançar avanços na agenda ambiental. "O fato de que alguns países não estão assim tão ativos em Johannesburgo não deve desanimar-nos, porque se somos partidários de uma democratização da ordem internacional, nós, que estamos dispostos, vamos continuar lutando e, pouco a pouco, vamos avançando", disse Fernando Henrique, após participar da sétima reunião da comissão interministerial preparatória ao evento.Para o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, o alcance da cúpula vai além das questões ambientais e pode representar um avanço ou retrocesso na luta da diplomacia brasileira para reforçar iniciativas multilaterais que fazem frente ao unilateralismo norte-americano.O presidente, que participará do evento entre os dias 1º e 4 de setembro, destacou que o Brasil tem obtido progressos na proteção ambiental, com a aprovação da Lei de Crimes Ambientais e a criação da Agência Nacional de Águas. "Devo dizer que podemos chegar a Johannesburgo com moral alta, porque, do ponto de vista do que é possível para um país em desenvolvimento, cheio de problemas, o Brasil tem feito um esforço considerável", disse.Lembrando que o mundo vive momentos de "incerteza", FHC reiterou a importância de não se reabrir discussões passadas. "É necessário que não venhamos de novo abrir questões que já estão, do ponto de vista da consciência internacional, superados", disse. Ele se referia, por exemplo, ao princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas. Ou seja, que os países desenvolvidos, que se industrializaram mais cedo e, portanto, poluíram mais, devem arcar com gastos e esforços maiores para recuperar o meio ambiente.Embora tenha sido acordado na Rio-92, esse princípio é questionado em encontros preliminares à cúpula e um dos entraves à assinatura do Protocolo de Kyoto - que prevê a redução da emissão de gases do efeito estufa - por mais países, entre eles os EUA, que decidiram não aderir. O Brasil torce pelo ingresso da Rússia, o que permitiria a execução do protocolo - uma vez que aí seria alcançada a quantidade mínima de países, que deve abranger as nações responsáveis pela emissão de 55% dos gases causadores do efeito estufa.

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