Brasil pode se tornar gigante em biotecnologia, diz estudo

Para conseguir isso, o País deve ultrapassar algumas barreiras, como reformar o sistema de patentes

Efe

06 de junho de 2008 | 14h59

O Brasil está a caminho de se tornar um gigante da biotecnologia para a saúde, disse nesta sexta-feira, 6, um estudo publicado na revista Nature Technology. Mas, para conseguir isso, o país deve ultrapassar algumas barreiras, entre elas reformar o sistema de patentes, resolver problemas de regulação e aumentar a contribuição de recursos humanos neste campo, segundo o Centro MCLaughlin-Rotman para a Saúde Global (MRC), da Universidade de Toronto (Canadá). O relatório indica que o Brasil já tem a capacidade científica e de mercado para desempenhar um papel importante no campo dessa tecnologia, ao nível de Índia e China. "Quando alguém pensa em biotecnologia, já não se trata de San Francisco, Boston, Londres e Tóquio", considerados até há pouco os centros principais do avanço biotecnológico no mundo, segundo Peter Singer, diretor interino do MRC. "Agora também se trata de Hyderabad (Índia), Xangai (China) e São Paulo. Embora ainda não tenha chegado à sua maturidade nas economias emergentes, a biotecnologia já não é hegemonia do mundo desenvolvido. A inovação biotecnológica se globalizou", acrescentou. Segundo Singer, o que impede o Brasil de avançar no setor biotecnológico tem pouco a ver com o nível de conhecimento de seus cientistas. "Sua ciência é de nível mundial. Infelizmente, existe um conjunto de pequenos desafios que continuam freando o momento em que o país se transformará em um inovador importante no setor da biotecnologia da saúde", ressaltou. Sarah Frew, investigadora do MRC, indicou que Índia e China se transformaram em potências neste campo e contam com os conhecimentos e os recursos para produzir remédios e vacinas a uma fração do custo em que incorrem as grandes farmacêuticas. "São poucas as razões para pensar que o Brasil não possa fazer o mesmo sempre e quando atender a alguns pequenos desafios pendentes", acrescentou. Segundo o estudo do MRC, uma diferença entre Índia e Brasil é que as empresas do país asiático são as principais fabricantes de vacinas e cobrem o programa nacional de imunização. No Brasil, essa atividade está principalmente sob o controle dos organismos públicos. Por outra parte, além de contar com grandes mercados internos, as companhias indianas e chinesas se centraram mais nas importações que as empresas brasileiras. Rahim Rezaie, que também participou do estudo, disse que o Brasil está diante de um dilema: como colher os benefícios de um robusto setor privado e, ao mesmo tempo, encontrar soluções sustentáveis e acessíveis para as necessidades da saúde local. Se o Brasil alcançasse "um equilíbrio entre seus setores público e privado, poderia não só maximizar os benefícios econômicos e de saúde para os brasileiros, mas também proporcionar um modelo convincente para a biotecnologia da saúde em outros países em desenvolvimento", acrescentou. Apesar de o relatório reconhecer os esforços de seu Governo para modificar os parâmetros de regulação, o relatório inclui algumas recomendações que permitiriam ao Brasil acelerar o desenvolvimento e a comercialização de novos produtos para o setor da saúde. Entre essas recomendações está melhorar a transparência das instituições envolvidas no desenvolvimento de produtos médicos, promover e apoiar a apresentação de solicitações de patente fora do Brasil e modificar ou eliminar políticas tributárias que penalizem empresas que devem contratar serviços de terceiros no exterior. Também sugere aumentar de forma substancial a participação privada no desenvolvimento e a pesquisa e identificar as necessidades de recursos humanos para disciplinas específicas e especialidades técnicas.

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