Brasil quer ação conjunta contra miséria

O Brasil quer elaborar planos conjuntos com vários países latino-americanos e caribenhos para combater a pobreza na região. O primeiro passo será a criação de normas comuns para calcular o número de miseráveis em cada país e, a partir daí, produzir projetos de identificação dos mais pobres e atacar a exclusão social, principalmente de crianças e adolescentes. "É preciso que, antes de mais nada, sejamos capazes de ter critérios de medidas da pobreza mais uniformes, que tornem as realidades de cada país comparáveis e passíveis de mudança", disse o ministro da Previdência e Assistência Social, José Cechin, que ontem presidiu a abertura do 3.º Encontro de Ministros de Desenvolvimento Social da América Latina e Caribe, que termina hoje no Rio. Os ministros também debateram sobre o impacto da previdência na redução da pobreza e estratégias de alguns países para conter o problema, como a desenvolvida pelo governo do Rio. A governadora Benedita da Silva (PT), que participou do encontro, ressaltou a importância de políticas para diminuir o número de excluídos. "Conhecer as dificuldades que se acentuaram com a globalização e atacar a exclusão é uma questão estratégica para nós. Na nossa agenda, não vão faltar temas como a exclusão, a discriminação e a violência", disse. "Estaremos no governo apenas até dezembro, mas tentaremos nesse período implementar políticas públicas com esse olhar." Em sua apresentação, o ministro José Cechin falou sobre os benefícios da Previdência e como ela pode ajudar no combate à pobreza. "Hoje, o problema da miséria está concentrado nos jovens. Graças à Previdência, os velhos ainda são protegidos da pobreza", disse. Cechin ressaltou que, apesar de o problema continuar grande, houve redução do número de miseráveis nos últimos anos. "A expansão da Previdência e a estabilização econômica foram os principais condicionantes dessa diminuição", afirmou. Experiências - O representante da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) no Brasil, Jorge Werthein, elogiou o encontro e afirmou que acredita que a troca de experiências entre os países vai ser muito produtiva. "Algumas nações como o Brasil e o Chile têm projetos que funcionam muito bem e podem passar essas idéias para os outros", declarou. Segundo ele, as iniciativas brasileiras são boas, mas o caminho para reduzir os marginalizados ainda é longo. "O problema é que a dívida social brasileira é histórica e não se resolve imediatamente." O 3.º Encontro de Ministros de Desenvolvimento Social é a continuação de duas reuniões realizadas no México, em 2001 e em maio deste ano. O encontro no Rio vai finalmente formalizar a estrutura oficial do foro de discussões. O Brasil foi escolhido para presidir essa etapa das negociações.

Agencia Estado,

21 de junho de 2002 | 09h41

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