Brasil quer continuar protagonista na área ambiental

O assessor do governo federal para a participação do Brasil na Cúpula Mundial de Desenvolvimento Sustentável, Fábio Feldmann, viajou ontem para Johannesburgo, África do Sul, com a missão de acertar a agenda não-governamental do presidente Fernando Henrique Cardoso, que chega à cidade no próximo domingo, para participar da Rio+10. Um desses compromissos deverá ser um encontro com Nelson Mandela, na abertura do Congresso Mundial de Parques, na próxima semana.?O Brasil assumiu um papel de protagonista na Conferência e isso se deve às articulações não só nos fóruns governamentais, mas também às alianças que o País tem feito, nos últimos anos, com o setor não-governamental?, disse Feldmann, pouco antes de embarcar. Nomeado pelo presidente em fevereiro último para coordenar a participação brasileira, Feldmann esteve à frente dessas articulações, que incluíram uma série de atividades e eventos nacionais e internacionais ligados à Conferência, entre os quais a elaboração das propostas brasileiras para a Rio+10, como a Iniciativa Latino-Americana e Caribenha para o Desenvolvimento Sustentável e a Iniciativa de Energia (10% de fontes renováveis para todos os países). Além disso, organizou reuniões com organizações não-governamentais e com especialistas de diversas áreas sobre os temas que estão sendo discutidos em Johannesburgo.O assessor foi responsável, ainda, pelo encontro internacional de ?passagem da tocha? da Cúpula Mundial, do Rio para Johannesburgo, realizado no final de junho, no Rio de Janeiro. A reunião foi convocada por Fernando Henrique e teve a participação do presidente da África do Sul, Thabo Mbewki, e do primeiro-ministro Görran Persson, da Suécia, país que sediou a primeira Conferência Mundial do Meio Ambiente, em 1972.?Talvez o maior mérito da participação brasileira na Rio+10 tenha sido reverter, no encontro do Rio, o foco da Conferência, de África e pobreza - tendência que prevaleceu até a reunião preparatória de Bali, no início de junho -, para desenvolvimento sustentável?, acredita Feldmann.Além de estar na linha de frente na mobilização pela entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, o Brasil tem estado à frente dos debates sobre o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, que prevêem a comercialização de créditos de carbono. Esta posição mais ?pró-ativa? do governo brasileiro começou a se intensificar com a criação do Fórum Brasileira de Mudanças Climáticas, do qual Feldmann é secretário-executivo. Entre as recomendações da assessoria especial do governo para a Rio+10 estavam ainda a criação de novas unidades de conservação, como o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no Amapá, e da Estação Ecológica do Mico Leão Preto, no Pontal do Paranapanema, em São Paulo, antes da Conferência. Essas unidades irão colaborar para que o País atinja o compromisso assumido por Fernando Henrique de ter 10% das florestas brasileiras integralmente protegidas.

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