Brasil quer desenvolvimento conjunto de tecnologias ambientais

O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) tem defendido sistematicamente a democratização da capacitação tecnológica e a transferência de tecnologia dos países industrializados para os países em desenvolvimento, sobretudo no âmbito das negociações do clima. ?Existem de 120 a 140 países ?tecno-excluídos?, quer dizer, que não têm acesso a nenhuma tecnologia recente nem geram tecnologia própria e esta situação tem que acabar, pois é uma situação de injustiça?, afirmou o ministro Ronaldo Sardenberg, em entrevista à Agência Estado. Ele não inclui o Brasil entre estes países ?tecno-excluídos?, mas defende o acesso de todos ao conhecimento científico. Para Sardenberg, individualmente, o Brasil deve investir no desenvolvimento conjunto de tecnologias, com os Estados Unidos, França, Inglaterra e Alemanha, do mesmo modo como já faz com a China, com o programa espacial (satélites de sensoriamento remoto). ?O Brasil já tem um nível científico e tecnológico que permite ser parceiro?, reitera o ministro.No contexto das convenções ambientais internacionais, outra prioridade é incrementar a transferência de tecnologias ?Sul-Sul?, quer dizer, entre países em desenvolvimento. ?Estamos procurando criar uma nova mentalidade: toda esta relação ?Sul-Sul? sempre foi vista como uma coisa marginal, agora nós podemos estabelecer, nas ciências ambientais, uma relação de alto conhecimento e alta tecnologia?, acrescentou. Além da cooperação com a China, o Brasil já está negociando parcerias mais amplas com a Índia e com o México, sendo que esta deve ser anunciada já no próximo mês de julho.?Ainda temos que melhorar o acesso de nossa comunidade científica ao conhecimento, porque é muito mais importante, hoje, ter a informação do que deter o espécime, fisicamente?, enfatiza Sardenberg, referindo-se aos dados sobre espécies brasileiras armazenados em instituições de pesquisa e museus estrangeiros. O conhecimento sobre plantas do Nordeste, por exemplo, encontra-se mais organizado no Kew Garden, de Londres, do que em instituições brasileiras, assim como o Instituto Max Planct, da Alemanha, e o Smithsonian, dos EUA, acumulam conhecimento sobre espécies da Amazônia. ?Na medida em que o mundo vai mudando, temos de modernizar nossa luta também e, hoje, nossa luta tem de ser pelo acesso à informação?, diz.Para o ministro, em Joanesburgo, ainda há uma batalha contra a dispersão do tema tecnologia nas negociações da Rio+10: ?O tema tecnologia é considerado transversal e quem tem um pouco de experiência neste tipo de reunião sabe que isso é uma receita de invisibilidade, é um sintoma de atraso decepcionante, mas, ainda assim, vamos à África do Sul levando esta bandeira, da luta pela capacitação, pela transferência de tecnologia e acesso ao conhecimento?.

Agencia Estado,

25 de junho de 2002 | 15h48

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