Brasil reduz desigualdade entre sexos

País sobe 20 posições e ocupa a 62ª em ranking de 129 países do Fórum Econômico Mundial

Jamil Chade, correspondente em Genebra,

23 Outubro 2012 | 22h30

 O Brasil oferece para meninos e meninas a mesma possibilidade de acesso à educação e à saúde. Porém, a diferença de renda entre os sexos continua grande. Nesse cenário, o Brasil subiu 20 posições, mas ocupa apenas o 62.º lugar entre 129 países no ranking que estima a condição das mulheres na sociedade. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 23, pelo Fórum Econômico Mundial.

Segundo o Fórum, nenhum país no mundo tem uma condição de igualdade total entre homens e mulheres. Os que mais se aproximam são Islândia, Finlândia, Suécia e Noruega. Nesses países, o analfabetismo feminino foi solucionado há décadas e as mulheres têm direito a voto há quase cem anos. No ranking, os EUA estão na 22.ª posição, a Itália, na 80.ª e o Japão, na 101.ª.

De acordo com os pesquisadores, o Brasil conseguiu subir 20 posições em relação ao levantamento anterior graças à melhoria de acesso à escola e saúde. Hoje, o País está em primeiro lugar no ranking no que se refere ao acesso à escola para meninas – uma realidade vista em apenas 20 países. No ensino fundamenta, para cada 95 meninas há 94 meninos. No ensino médio, a diferença cresce: são 85 meninas para cada 78 meninos.

Em termos de acesso à saúde, o Brasil também aparece na liderança, com uma taxa de expectativa de vida saudável para a mulher superior ao homem. Apenas 15 países vivenciam isso.

Renda. Mesmo com esses dados positivos, o Brasil é superado no ranking geral por 13 países latino-americanos, como Argentina e Bolívia, e por africanos, como Namíbia, Cabo Verde e Madagascar. O grande obstáculo é a situação econômica da mulher.

Em uma classificação sobre poder econômico e oportunidades para as mulheres, o Brasil aparece na 73.ª posição. Em média, a renda de um homem brasileiro é de US$ 14,6 mil por ano e de uma mulher, US$ 8,8 mil.

Entre os 129 países avaliados pelo critério renda, o Brasil ocupa a 120.ª posição. A taxa de desemprego entre as mulheres é de 11%, contra 6% entre os homens. Apenas 0,5% das terras no Brasil estão em nome de mulheres.

Política. Um aspecto positivo destacado no Fórum é o crescente envolvimento das brasileiras na política, apesar de o poder político ainda ser incipiente, mesmo com o mandato da presidente Dilma Rousseff. O País está na 72.ª posição nesse critério.

Quando se olha apenas para o Executivo, porém, o Brasil passa a ocupar a 30.ª posição no ranking, com 27% dos ministérios ocupados por mulheres.

Para o Fórum, é de interesse até econômico que países como o Brasil tenham uma situação mais favorável para as mulheres. “Elas representam metade do capital humano mundial. Dar poder e educar garotas e mulheres e alavancar seu talento e liderança na economia global, na política e na sociedade são elementos fundamentais para ter sucesso e prosperar num mundo cada vez mais competitivo”, diz o fundador do Fórum, Klaus Schwab.

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