Brasil se compromete a zerar aids em bebês até 2008

O Brasil assumiu o compromisso de, em três anos, reduzir para menos de 1% a taxa de transmissão vertical do HIV, de mãe para filho, e a zero o número de novos casos de sífils congênita.A decisão foi anunciada nesta terça-feira, com o lançamento da campanha global Unidos com a Crianças e Adolescentes - Unidos vamos vencer a Aids, desenvolvida pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência (Unicef) e pelo Ministério da Saúde.Entre as medidas anunciadas está a ampliação do acesso ao diagnóstico do HIV entre gestantes, principalmente em regiões mais carentes, como Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Piauí. Nestes locais, a campanha deverá distribuir 50 mil testes rápidos para detecção do HIV. Profissionais dos serviços também serão treinados para realizar os diagnósticos.A campanha prevê ainda a ampliação de programas de prevenção entre adolescentes. A idéia é atingir, até o fim do próximo ano, 7 milhões de estudantes. Estima-se que hoje 17,2 mil crianças brasileiras sejam soropositivas.Outros paísesNesta iniciativa, o Brasil assumirá um papel simultâneo de parceiro e beneficiário das ações da Unicef. Além de receber auxílio do Unicef, o País se comprometeu a fornecer medicamentos para crianças soropositivas e auxiliar na capacitação de profissionais em seis países da Cooperação Sul-Sul: Bolívia, Cabo Verde, Guiné Bissau, Paraguai, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.A intenção é de que, a médio prazo, sejam oferecidos 10 mil tratamentos para pacientes destes países. Isso representaria cerca de US$ 5 milhões em investimentos. O ministério estima que, deste total, o País se encarregaria em financiar US$ 3 milhões.O Unicef, deverá reservar outros US$ 1 milhão e o restante, seria repartido entre os demais países. Os remédios distribuídos pelo Brasil seriam produzidos pela Fiocruz. Caberá ao Unicef fornecer os testes rápidos.Poucos recursosApesar de estar se comprometendo com metas, os recursos previstos para a prevenção da aids no Brasil em 2006 estão abaixo do desejado. O coordenador do Programa Nacional de DST-Aids, Pedro Chequer, afirmou que estão reservados cerca de R$ 300 milhões - quase R$ 180 milhões a menos do que seria considerado ideal.Esta atividade inclui, por exemplo, campanhas publicitárias e ações educativas. ?Há tempos reivindicamos ampliar de dois para quatro o número de campanhas anuais sobre o tema?, afirma. ?Mas com esses recursos, isso não é possível.??Claro que providenciar medicação é indispensável, indiscutível. Mas é preciso garantir que prevenção não fique com a fatia restante. São dois programas complementares.?Chequer também considera importante a participação de Estados e municípios nestes financiamentos. ?Hoje, recursos vêm apenas da esfera federal. É preciso que governos locais se comprometam também com financiamento destas atividades.?, disse.O diretor do Instituto de Saúde, Alexandre Grangeiro, julga preocupante a redução dos investimentos em prevenção. ?É uma bomba-relógio. Há um risco de que isso, a médio prazo, traga um impacto nos números da epidemia?, observou Grangeiro.

Agencia Estado,

22 de novembro de 2005 | 16h56

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