Brasil sediará conferência sobre o clima e saúde

O Brasil deverá sediar a primeira conferência internacional sobre mudanças climáticas e suas conseqüências negativas para a saúde da população, marcada para 2003. O anúncio foi feito pelo professor norte-americano Willian Sprigg, que está organizando o congresso em conjunto com as Nações Unidas e aguarda resposta do Ministério da Saúde para marcar a data."Queremos discutir os perigos reais que surgem em diferentes partes do mundo por causa do aquecimento global e do aumento das chuvas", explicou Sprigg, que é professor de Ciências da Atmosfera da Universidade do Arizona e participou do 2º Seminário Nacional de Ambiente e Saúde. "Apesar de haver muitas incertezas sobre como o clima vai mudar, temos certeza de que essas mudanças podem aumentar as doenças infecciosas no mundo. E temos que desenvolver mecanismos para evitar esse problema."Um exemplo dado pelo professor foi o caso da dengue no Brasil. Se a temperatura subir e houver mais chuvas em alguns Estados brasileiros, o mosquito (Aedes aegypti) poderá se adaptar a essas novas regiões e causar novas e maiores epidemias de dengue. O objetivo da conferência - intitulada Melhorando a Saúde em um Cenário de Mudanças Climáticas e Ambientais: Um Plano Internacional para o Século 21 - será traçar estratégias internacionais para prevenir doenças em áreas onde a mudança climática estimular a proliferação de espécies que transmitem doenças. "Até o lugar onde moro, no Arizona (EUA), corre o risco ter mais chuvas, mais mosquitos e mais doenças", disse o professor.O acordo para sediar o congresso no País está sendo feito com o Ministério da Saúde e com a Fundação Oswaldo Cruz, do Rio. "Estou discutindo com eles, que vão decidir em que cidade o evento vai acontecer", contou Sprigg. Ele disse que preferiu trazer a conferência para o Brasil - em vez de incluir na Conferência de Desenvolvimento Sustentável Rio + 10, que acontece em setembro deste ano na África do Sul - porque despolitiza o tema e faz com que a discussão concentre-se em questões práticas e mais importantes. "Quero evitar que o problema acabe sendo esquecido e engolido nas discussões políticas entre os países." Em sua palestra, o professor alertou sobre a necessidade da criação de grupos interdisciplinares de cientistas para estudar o impacto das mudanças no clima. A idéia é montar uma equipe treinada para, com ajuda de tecnologia de satélites e sofisticadas ferramentas de previsão de tempo, identificar futuros problemas. Fazendo o diagnóstico, o grupo seria responsável por alertar os países em riscos. "Assim, poderíamos avisar sobre riscos de epidemias e os países poderiam tomar providências a tempo", afirmou Sprigg.

Agencia Estado,

11 de junho de 2002 | 19h40

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