Brasil tem plano pronto para conter gripe aviária

O ministro da Saúde, Saraiva Felipe, afirmou que o Brasil já tem pronto o plano de contingência para a gripe aviária. O documento, que está "numa espécie de consulta pública", prevê ações que vão desde quais medicamentos devem ser usados até a ordem de vacinação. Segundo o plano, autoridades nacionais receberiam em primeiro lugar a imunização, seguidos por trabalhadores em saúde, das Forças Armadas, Defesa Civil e trabalhadores dos transportes, minas e energia e limpeza urbana. Num segundo momento, seriam imunizados operários, funcionários de fábricas.O governo já determinou a criação de um grupo interministerial encarregado de definir uma estratégia contra um eventual supervírus. Sob a coordenação do Ministério da Saúde, o grupo é integrado também pela Agricultura, Meio Ambiente e Defesa Civil. Os preparativos contra uma possível pandemia já começaram. O Brasil encomendou ao laboratório Roche quantidade de Tamiflu para um estoque nacional com tratamentos para 9 milhões pessoas.Apesar da compra oficial, muitos brasileiros querem fazer seu próprio estoque. Segundo o Roche, a quantidade prevista para este ano já acabou. Um novo pedido foi feito para a matriz, mas o laboratório não sabe quando ele chegará. A prioridade, por enquanto, é abastecer países que agora estão no inverno e pedidos de governos, interessados em fazer seus estoques. Verba - O Ministério da Saúde não tem recursos em seu orçamento para arcar com os preparativos contra uma pandemia causa por um supervírus de gripe. Saraiva Felipe afirmou nesta segunda já ter alertado a equipe econômica de que sua pasta, sozinha, não conseguirá custear todas as providências. "São várias as atividades, desde equipar laboratórios de referência, preparar hospitais, treinar profissionais de saúde. Não será barato." Mas o ministro ainda não sabe quanto seria necessário.O ministro observou, por exemplo, que serviços de sentinelas, encarregados de detectar os primeiros casos da doença, terão de estar "na ponta dos cascos", para não deixar passar em branco casos suspeitos. "A verba será necessária para Saúde e outras áreas envolvidas, como Agricultura", afirmou. Semana passada, o ministério informou que, se instalada a epidemia, o País precisaria de R$ 1 bilhão. O dinheiro seria usado para campanhas, vacinações, medicamentos. "Não podemos desviar dinheiro de outras ações para isso."Segundo ele, no governo "há o reconhecimento de que o problema tem de ser revolvido". Mas ainda não existe definição de onde virá o dinheiro. A busca por recursos não se limitará ao território nacional. Fundo internacional - Saraiva Felipe participou nesta segunda de uma reunião, no Canadá, com ministros de Saúde de vários países. O encontro, antecedido por outro de técnicos dos governos, fez uma constatação unânime: é preciso ampliar a verba da Organização Mundial de Saúde (OMS) e criar um fundo para países afetados, caso a epidemia de fato aconteça. "O mundo vai perder a batalha contra a doença caso não se crie condições para que países afetados sintam-se seguros em informar as primeiras contaminações."O ministro saiu da reunião pouco otimista. Ele ouviu de especialistas que se um supervírus capaz de infectar humanos aparecer, o mundo teria poucos recursos terapêuticos para contê-lo. "Não há até agora uma vacina ou um medicamento infalível", afirmou. "O Brasil está equiparado a outros países, mas o recursos existentes até agora são escassos."Na reunião, Saraiva Felipe iria reafirmar a disposição do Brasil de obter a licença voluntária do antiviral Tamiflu, da Roche. "Caso a empresa se dispuser a conceder a licença, temos condição de fabricar o medicamento em Farmanguinhos", disse. Contudo, a prioridade da empresa, por enquanto, é abastecer países que estão no inverno e pedidos diretos de governos.Segundo o ministro, o Brasil poderia ter um papel importante para fornecer, a países vizinhos, tanto o medicamento quanto a vacina, que seria produzida pelo Instituto Butantã. "Faríamos o que estivesse a nosso alcance."   leia mais sobre gripe aviária

Agencia Estado,

24 de outubro de 2005 | 20h52

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