Brasil tem seu 1.º banco de DNA de plantas

O primeiro Banco de DNA de espécies vegetais brasileiras está sendo inaugurado nesta quarta-feira, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.Serão conservados no espaço amostras de espécies coletadas, principalmente, em áreas ambientais jádegradadas, como a Mata Atlântica, onde o risco de extinção da flora nativa é ainda maior. A meta é reunir, anualmente, cerca de mil exemplares.Segundo a coordenadora do Banco de DNA, a bióloga molecular Luciana Franco, a conservação dos genes é fundamental não só para facilitar o estudo e a troca de experiências entre pesquisadores brasileiros como também para a desenvolvimento de vários tipos de produtos.?Vamos supor que, no futuro, se descubra que umadeterminada espécie produzia uma substância que pode ser usada na fabricação de um medicamento. Podemos recuperar essa informação, mesmo das espécies já extintas, por meio do Banco de DNA?, explicou.Para abrir a nova unidade, o Jardim Botânico, que está comemorando 196 anos, contou com o patrocínio de R$ 400 milhões da Companhia de Seguros Aliança do Brasil, empresa do Banco do Brasil.No espaço, onde vão trabalhar cinco pesquisdores, já estão armazenadas amostras de pau-brasil, canela, palmeira e maracujá. ?Estávamosfuncionando ainda de forma irregular e fizemos coletas de espécies encontradas na Mata Atlântica?, disse Franco.Preparo e armazenagemO material é armazenado após um processo que transforma as folhas em pó. ?A planta é seca e desidratada em laboratório. Já em forma de pó, passa por reagentes que vão arrebentar as células para liberar o DNA.Depois de isolado, o gene é colocado em água ou em tampão e guardado em um freezer com uma temperatura de 80 graus negativos?, detalhou Franco. Todo o procedimento é realizado no Laboratório de Biologia Molecular de Plantas do Jardim Botânico.O espaço vai facilitar a vida de muitos pesquisadores que têm de vir ao Rio para obteros genes das plantas. ?Podemos enviar o material gratuitamente. Por enquanto, isso só pode ser feito dentro do Brasil, pois a nossa legislação proíbe a troca de material genético com outros países?, disse Luciana.

Agencia Estado,

09 de junho de 2004 | 10h49

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