Brasil vai insistir na defesa da economia verde inclusiva

Prática pressupõe melhoria das condições de vida dos mais pobres; País não vai recuar neste debate, diz ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação

Roberta Pennafort, do Rio de Janeiro,

11 Junho 2012 | 19h09

 O Brasil vai insistir na defesa da chamada economia verde inclusiva durante a Rio+20 - ambientalmente correta e que pressupõe a melhoria das condições de vida dos mais pobres, ou seja, põe em pé de igualdade as dimensões  ambientais e sociais -, a despeito da reserva demonstrada pelos países desenvolvidos, dos quais não se deve esperar ajuda em tempos de crise.

 

Ao abrir o Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, na PUC-Rio, evento paralelo à conferência que reúne estudiosos do mundo todo, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, disse que o País não vai recuar neste debate. "Eu não acho que eles (os países desenvolvidos) estejam confortáveis com o tema. Mas temos de lançar ideias. Para nós, a inclusão social junto com o crescimento é fundamental. Só entendemos conservação ambiental dessa forma. Caso contrário, ficamos em desvantagem", afirmou Raupp.

O ministro informou ainda que um programa internacional de pesquisa que foque no desenvolvimento sustentável durante a década que se inicia e que conte com o apoio da ONU será proposto pelo governo brasileiro durante o fórum.

Consultor do Fundo de População da ONU (UNFPA), o alemão Michael Herrmann, que falou em seguida, alertou para o fato de que, tornada uma realidade, a economia verde não pode ser encarada como uma "solução mágica". "Nós todos queríamos ter uma varinha de condão que solucionasse todos os nossos problemas ao mesmo tempo", ponderou.

"Queremos que a economia verde resolva a desigualdade social, a pobreza, mas não podemos pressupor que a economia verde, por si só, seja mais inclusiva do que a economia marrom. Mas isso não faz a economia verde menos importante. Outras políticas, sociais, de distribuição de renda, continuam importantes."

Herrmann criticou o fato de as negociações pré Rio +20 até o momento não terem contemplado o que ele chama de "desafio do século": promover o bem-estar de uma população mundial crescente (de sete bilhões de pessoas, com previsão de chegar a nove bilhões até 2050), com os recursos naturais limitados de que a humanidade dispõe.

"A questão das dinâmicas populacionais não está sendo contemplada. É um assunto ainda muito delicado e muita gente prefere desviar dele, mas estamos nos enganando se achamos que podemos tratar de desenvolvimento sustentável sem falar de quantos vamos ser nesse planeta, como e onde vamos viver. Se isso não for tratado na conferência, terá sido uma grande oportunidade perdida."

Voltados ao meio acadêmico e com a ambição de propor soluções sócio-ambientais e econômicas, os debates na PUC-Rio seguem até sexta-feira. Serão retomadas discussões tratadas na conferência Planeta Sob Pressão, em Londres, no fim de março, na qual foram apresentados os últimos avanços científicos na área. As mesas passam por questões que estão na pauta da Rio+20, como mudanças climáticas, segurança alimentar e energia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.