Brasil voltará a propor Santuário de Baleias no Atlântico Sul

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, apresentou hoje ao corpo diplomático residente em Brasília a proposta brasileira, co-patrocinada pela Argentina, de criação de um Santuário de Baleias no Atlântico Sul. O projeto será defendido pelo presidente do Ibama, Marcus Barros, na 55a Reunião Anual da Comissão Internacional da Baleia (CIB), que acontece de 16 a 18 de junho, em Berlim, Alemanha.Esta será a terceira vez que o Brasil coloca a proposta em votação. Nas duas primeiras, no Reino Unido, em 2001, e no Japão, em 2002, conseguiu a maioria dos votos, mas não os três quartos necessários para a aprovação. ?Tivemos a presença de nove diplomatas na reunião para apresentação da proposta revisada, agora com mais argumentos técnicos, que teve boa receptividade. A ótima notícia veio do embaixador do Gabão, que declarou voto favorável ao Santuário, mostrando uma mudança de postura do país?, disse José Truda Palazzo, coordenador do Projeto Baleia Franca e da proposta brasileira.O objetivo do Santuário é proteger as baleias da caça em toda a área do Oceano Atlântico, desde a linha do Equador até o limite de 40oS, onde se inicia o já existente Santuário Antártico. Com a nova área de proteção, seria criado um grande corredor para a reprodução, amamentação, migração e alimentação para 11 das 14 espécies de baleias existentes no mundo: baleia-azul (o maior mamífero do Planeta), bryde, fin, espadarte, jubarte, franca, franca pigméia, cachalote, minke e minke-anã. A região definida engloba, além do alto mar, as costas do Brasil e da África.Segundo Truda, a votação favorável ao Santuário Atlântico aumentou de 2001 para 2002, mas enfrenta resistência no bloco baleeiro, encabeçado pelo Japão e pela Noruega. ?Esses dois países mantém cativos votos de países em desenvolvimento, através de ajuda financeira para a área de pesca, por isso a luta brasileira é contra o poder econômico dos baleeiros?, disse. Para a aprovação, serão necessários cerca de 28 votos. ?Precisamos garantir ainda uns cinco votos, principalmente entre países da África e Caribe, já que a Europa vota em bloco conosco, com exceção da Noruega e da Dinamarca. Neste ano, esperamos conseguir mudar os votos da Dinamarca, país com uma postura tradicionalmente favorável às questões ambientais, e do Panamá, além da Irlanda, que sempre se absteve?, avalia.O especialista, que integrará o comitê científico da delegação brasileira em Berlim, diz que a grande maioria das espécies de baleias estão reduzidas a porcentagens entre 5% a 10% de suas populações originais. ?A baleia minke, por ser a menor delas, é a única que tem uma população relativamente saudável. Mas, se a caça continuar, é apenas uma questão de tempo, pois a indústria baleeira funciona como a de mineração: quando acaba uma espécie, muda para outra. Agora a minke é a bola da vez?.Atualmente, existem duas grandes áreas designadas como santuários de baleias. Uma delas, criada em 1979, localiza-se no Oceano Índico e outra nos mares que circundam a Antártica, estabelecida em 1994. Existe ainda uma proposta dos governos da Austrália e da Nova Zelândia de criar um Santuário de Baleias no Pacífico Sul, que também não consegue aprovação devido à forte oposição do Japão, apesar do apoio de todos os países incluídos nos limites da área de proteção.

Agencia Estado,

14 de maio de 2003 | 16h14

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