Brasileiro e chinês dividem prêmio ambiental da ONU

O diretor do Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Pnuma ou Unep), Klaus Toepfer, anunciou hoje, em Nairobi, no Quênia, os dois vencedores do prêmio Sasakawa de Meio Ambiente 2003. O brasileiro Dener Giovanini, fundador e diretor da organização não governamental Renctas, de Brasília, divide a homenagem com Xie Zhenhua, vice presidente do Conselho Chinês para a Cooperação Internacional sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CCICED) e ministro da Administração Estatal de Proteção Ambiental da China (SEPA), responsável pela nova política de desenvolvimento sustentável daquele país. Ambos receberão o prêmio das mãos do secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, em Nova Iorque, no próximo dia 19 de novembro. E cada um ainda receberá US$100 mil. Antes de Giovanini, o único brasileiro premiado com o Sasakawa foi o seringueiro Chico Mendes, em 1990.?Com a divulgação do prêmio, esperamos que o problema do tráfico de animais silvestres ganhe mais visibilidade, internacional inclusive, e entre na pauta do dia do governo brasileiro?, diz Giovanini. ?Acredito que falta informação às pessoas formuladoras de políticas públicas quanto à dimensão do problema, quanto ao que o país perde com este mercado ilegal, o que vai refletir nas deficiências dos órgãos fiscalizadores em relação a pessoal, estrutura e recursos para fazer um combate mais efetivo?. O ambientalista também chama atenção para a ausência de políticas públicas junto às comunidades mais carentes, que alimentam o tráfico de massa ? de pássaros, papagaios e araras, sobretudo. A maioria dos habitantes destas comunidades retira os animais da natureza para entregar aos traficantes por falta de opção de renda. ?Já o tráfico de espécies mais raras ou ameaçadas de extinção envolve quadrilhas organizadas, bastante associadas às quadrilhas de traficantes de drogas e armas?, acrescenta Giovanini. Ambientalista desde os 15 anos, Dener Giovanini começou a se interessar pelo combate ao tráfico de fauna quando foi secretário municipal de Meio Ambiente de Três Rios, no interior do Rio de Janeiro, e conheceu de perto as dificuldades de fazer apreensões, mesmo atuando junto com a polícia. Fundou, então, a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), em 1999, com o propósito de disseminar informações e capacitar fiscais e policiais, de modo a tornar as apreensões mais eficazes.Com apenas 11 membros efetivos e um forte apoio de cerca de 900 voluntários, em todo o país, a Renctas já realizou cursos e workshops de treinamento em 16 estados e tem novas reuniões programadas para mais 5 estados. Os voluntários são estudantes, professores e biólogos ou veterinários, que trabalham com educação ambiental ou acompanham as apreensões para cuidar dos animais. Dos workshops participam policiais federais, rodoviários e fiscais de órgãos ambientais federais, estaduais e municipais. Entre as informações transmitidas estão desde técnicas utilizadas pelos traficantes para esconder os animais ou falsificar documentos até legislação e modo de transportar ou avaliar o estado de saúde da fauna apreendida e prestar os primeiros socorros.De acordo com o primeiro relatório sobre o tráfico de animais silvestres no Brasil, feito pela Renctas em 2001, os traficantes tiram dos ecossistemas brasileiros cerca de 12 milhões de espécimes e movimentam algo em torno de US$ 1,5 bilhão, por ano. Desde que a Renctas começou a atuar, aumentaram significativamente as apreensões e o índice de sobrevivência dos animais apreendidos. Os números só serão conhecidos em 2004, quando for editado o segundo relatório da Renctas, mas o volume de denúncias recebidas pela rede -?150 por dia ? já dá uma idéia da importância do trabalho da ong.?É uma verdadeira honra entregar o prêmio Unep-Sasakawa de Meio Ambiente 2003 para o Sr. Xie Zhenhua e para o Sr. Dener Giovanini. Eles demonstraram, um ao nível governamental e o outro ao nível social, como podem ser resolvidos problemas complexos, aparentemente insolúveis, que estão diante do mundo. Ambos mostraram visão, paciência, pragmatismo e uma compreensão da necessidade de engajar e encorajar numerosos atores e parceiros para que o desenvolvimento sustentável seja percebido", declarou, Klaus Toepfer, em nota à imprensa. O prêmio tem este nome em homenagem a Ryoichi Sasakawa, criador da Fundação Nippon, que o patrocina desde 1984.

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