Eli Burakian/Dartmouth College/Reuters
Eli Burakian/Dartmouth College/Reuters

Brasileiro Marcelo Gleiser ganha 'Nobel da espiritualidade'

Físico e astrônomo carioca é o primeiro latino a receber o prêmio Templeton; condecoração já foi entregue a Dalai Lama e Madre Teresa de Calcutá

Redação, AP e AFP

19 de março de 2019 | 11h01

HANOVER E WASHINGTON - O astrônomo e físico brasileiro Marcelo Gleiser, de 60 anos, foi anunciado nesta terça-feira, 19, como vencedor do prêmio Templeton, considerado o "Nobel da espiritualidade". Nascido no Rio, é professor da Dartmouth College, em Hanover, nos Estados Unidos, e autor de livros que discutem a origem do universo a partir da ciência e da religião. Ele receberá também US$ 1,4 milhões (cerca de R$ 5,3 milhões).

"(Gleiser é) Um dos principais proponentes da visão de que ciência, filosofia e espiritualidade são expressões complementares da necessidade humana de abraçar e explorar o desconhecido", descreve Heather Templeton Dill, neta do criador do prêmio, em vídeo divulgado pela Fundação Templeton. 

"O caminho para a compreensão e a exploração científica não é apenas sobre a parte material do mundo, e minha missão é trazer de volta para a ciência e para as pessoas que se interessam por ciência, esse apego àquele mistério. É fazer as pessoas entenderem que a ciência é apenas mais uma maneira de nos envolvermos com o mistério de quem somos", diz o astrônomo no vídeo.

O brasileiro é a 49ª pessoa a receber o prêmio, sendo o primeiro latino. Dentre os ganhadores anteriores, estão Dalai Lama e Madre Teresa de Calcutá. A cerimônia de premiação ocorre no dia 29 de maio, em Nova York. 

Dentre os livros mais conhecidos de Gleiser, estão "A Dança do Universo" (da Companhia das Letras) e "Criação Imperfeita" (editora Record). Ele reside nos Estados Unidos desde 1986, onde teve cinco filhos.

'Devemos ter a humildade para aceitar que estamos rodeados de mistério'

Em seus livros, Marcelo Gleiser demonstra que a ciência e as religiões tentam responder a perguntas muito similares sobre a origem do universo e da vida. Agnóstico, diz manter a "mente aberta porque entende que o conhecimento humano é limitado". "Devemos ter a humildade para aceitar que estamos rodeados de mistério."

"O primeiro que se vê quando se abre a Bíblia é uma história da criação", disse à agência AFP. "Todos querem saber como se originou o mundo", declara. "A ciência pode proporcionar respostas somenta até certo ponto." 

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