Brasileiros descobrem mudança genética ligada ao câncer

Uma mutação genética associada ao câncer de mama, inédita na literatura científica internacional, foi detectada em membros de uma família brasileira por uma equipe do Instituto Fernandes Figueira (IFF), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os pesquisadores integram o projeto Câncer de Mama e Genética, que, desde sua criação, em 1995, investigou 400 famílias com alto risco de desenvolver a doença, primeira causa de morte por câncer em mulheres no País. Neste ano, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), mais de 40 mil vão desenvolver este tipo de tumor, e cerca de nove mil morrerão.A nova mutação no gene brca2 foi inicialmente encontrada, há dois anos, em uma mulher com câncer de mama. Os pesquisadores decidiram, então, analisar cinco gerações da família da paciente e descobriram 17 casos de câncer, sendo 11 deles de mama, dois de pele, três de intestino e um de próstata. Embora já tenham sido detectadas mais de 200 mutações diferentes no brca2, o tipo identificado no Brasil ainda não havia sido registrado, de acordo com o chefe do Serviço de Mastologia do IFF, Roberto Vieira, coordenador do projeto, uma parceria com 16 instituições, entre nacionais e estrangeiras. Uma delas é a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, em Lyon, na França.A descoberta vai possibilitar o diagnóstico precoce da doença. "Como a probabilidade do portador da mutação apresentar a doença é grande, se a neoplasia surgir, vai ser detectada numa fase inicial e curável, quando, às vezes, nem a mamografia ou a ultra-sonografia são capazes de identificá-la. O monitoramento, portanto, é fundamental", diz o médico, acrescentando que as famílias atendidas pelo projeto, provenientes de várias partes do País, recebem atendimento gratuito. "Prestamos assistência médica e psicológica". Segundo Vieira, a família portadora da mutação não quer comentar o assunto. "Elas não autorizam repassar o contato, pois temem ser prejudicadas", explica Vieira.Autor de uma dissertação de mestrado sobre a descoberta, Luis Cláudio Amendola ressalta que, embora nem todo portador do gene modificado apresente o tumor, a probabilidade de desenvolvê-lo, no caso da mama, é de 85%, considerando uma sobrevida média de 80 anos.

Agencia Estado,

24 de julho de 2003 | 18h10

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.