Oded Balilty/AP
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Brasileiros deverão votar em bloco no conclave; italiano teria apoio da maioria

Os cinco cardeais do Brasil embarcaram para Roma sem fechar questão em torno de um nome; após primeiros escrutínios, porém, devem articular apoio a um único candidato

José Maria Mayrink - O Estado de S.Paulo,

27 Fevereiro 2013 | 00h15

Os cinco cardeais brasileiros que participarão do conclave para a sucessão de Bento XVI não entrarão na Capela Sistina apoiando o mesmo candidato, mas poderão se unir em torno de um nome após os primeiros escrutínios. Se todos concordam com alguns pontos básicos para enfrentar a crise que abalou o Vaticano nos últimos anos, o perfil ideal de um papa capaz de recuperar a imagem e o prestígio da Igreja ainda está começando a ser desenhado - e o italiano Angelo Scola, arcebispo de Milão, despontaria como favorito.

"A Cúria Romana terá de passar por uma reforma profunda", disse ao Estado o cardeal d. Geraldo Majella Agnelo, arcebispo emérito de Salvador. D. Geraldo conhece bem a máquina central da Santa Sé, pois trabalhou por mais de sete anos na Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Sem citar nomes, o que é proibido sob pena de excomunhão aos cardeais eleitores, ele espera que seja eleito um papa com espírito de pastor que tenha pulso forte.

Padre Manoel Godoy, ex-assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que conhece bem o episcopado, aposta que d. Geraldo e mais dois cardeais brasileiros, d. Cláudio Hummes e d. Odilo Scherer, deverão votar num nome mais conservador - no caso, Scola, que manteria a linha de Bento XVI, de quem seria o candidato preferido. D. Cláudio é prefeito emérito da Congregação para o Clero e d. Odilo, arcebispo de São Paulo, é bem alinhado com o Vaticano e tem várias funções em Roma.

Scola, um dos nomes mais citados na lista de papabili, poderá ter o voto também de outro brasileiro, d. João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, pelo fato de ambos terem sido ligados a movimentos apostólicos - Scola ao movimento Comunhão e Libertação e Aviz aos Fuocolari, ambos muito prestigiados por João Paulo II e por Bento XVI.

O mineiro d. Raymundo Damasceno Assis, cardeal-arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB, tenderia a votar num candidato mais aberto, como o italiano Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho da Cultura, outro nome em ascensão. "É uma hipótese razoável, mas d. Damasceno é bem capaz de mudar de posição, conforme o encaminhamento da votação", disse padre Godoy.

Embora não adiantem em quem pretenderiam votar, os quatro cardeais brasileiros que vivem no Brasil (d. Aviz mora em Roma) com certeza vêm trocando ideias sobre os nomes mais cotados para dirigir a Igreja nos próximos anos. Falaram-se por telefone e combinaram retomar a conversa em Roma. Na sexta-feira, d. Cláudio almoçou com d. Odilo, em São Paulo.

Os brasileiros já se encontram todos em Roma. O último a viajar foi d. Odilo, que embarcou ontem à tarde em Guarulhos. Adiantaram a viagem, mesmo antes da convocação do conclave, para se despedirem, amanhã, de Bento XVI, no Vaticano. Dos cinco, três foram feitos cardeais pelo papa renunciante: d. Odilo, d. Damasceno e d. João de Aviz.

Papa brasileiro. Na hipótese, pouco provável, mas possível, de um brasileiro emergir como um dos favoritos na eleição do papa, contará com os votos de seus compatriotas. O mais cotado seria o arcebispo de São Paulo. D. Odilo, de 63 anos, um dos membros mais novos do Colégio Cardinalício, de 115 eleitores.

Teve carreira relâmpago na hierarquia. Foi secretário-geral da CNBB e bispo auxiliar de São Paulo, antes de ser nomeado arcebispo e elevado cardeal em 2007, ano em que Bento XVI visitou a cidade e abriu a Assembleia do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, em Aparecida.

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