Britânicos querem criar mapa sonoro do corpo humano

Dois britânicos, um médico e um artista, planejam fazer um mapa "sonoro" do corpo humano a partir da gravação dos barulhos de veias, órgãos e músculos. Os sons serão gravados com a utilização de equipamentos médicos sensíveis, como scanners e estetoscópios, e vão formar uma instalação de arte interativa."Nós vamos samplear os sons utilizando coisas disponíveis para nós, como estetoscópios e ultra-sons. Vamos tentar usar esses objetos para gravar sons como o da corrente sanguínea e levar esses sons para um lugar público", afirma o artista Marcus Woxneryd, envolvido no projeto."As pessoas terão de caminhar ao redor da instalação para acionar os sons. À medida que interagem (com a instalação), o movimento vai mudar os sons e elas terão uma sinfonia orquestral com sons do corpo", acrescenta.Sons desconhecidosA curadora Rowan Dury diz que o projeto, que deve ficar pronto até setembro de 2006, vai oferecer uma nova percepção do corpo humano."Vamos usar aparelhos médicos de alta tecnologia, e o objetivo será encontrar sons interessantes", afirma. "Podem existir sons muito rítmicos que desconhecemos dentro de nós. Nós vamos pegar isso e samplear."Dury diz que também serão oferecidos textos explicativos sobre as partes do corpo sampleadas, para permitir uma maior compreensão dos órgãos e das partes do corpo envolvidas na instalação.Marcus Woxneryd afima esperar que o projeto revele sons pouco comuns, incluindo alguns que atualmente só podem ser ouvidos por médicos durante a realização de exames."Isso com certeza dará às pessoas uma experiência diferente do corpo e esperamos que elas passem a se relacionar com o corpo de uma nova maneira", comenta o artista. "Não estamos certos sobre o quão factual isso será, mas esperamos fazer algo informativo do ponto de vista médico e, ao mesmo tempo, empolgante."Woxneryd já criou uma instalação semelhante, chamada "Terminal", ao utilizar sons de arquivo e sampleados da estação de trem e metrô de Liverpool Street, em Londres.EncantoO cirurgião Francis Wells, do hospital Papworth, na Grã-Bretanha, atua como consultor e trabalha com Woxneryd no projeto. "É realmente fascinante a idéia de usar os sons e tentar transformar isso em uma peça de arte encantadora", diz o médico."Como nós vamos lidar com o cérebro silencioso é um fenômeno interessante", afirma. "Nós pretendemos usar praticamente todo o corpo, mesmo o ranger dos músculos, e vamos ver o que poderemos fazer então com eles."Wells diz que os pacientes vão decidir se querem participar do projeto e os sons serão captados como parte de exames de rotina. A maioria dos ruídos será gravada a partir do lado de fora do corpo.O projeto também conta com o apoio de Verity Slater, do instituto Wellcome Trust, que decidiu encorajar a parceria entre arte e ciência e doou cerca de R$ 60 mil para ajudar a financiar a instalação."Esse projeto realmente despertou a idéia de explorar o corpo para a vida", afirma Slater.

Agencia Estado,

27 de dezembro de 2005 | 17h24

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