Bush anuncia banco de células-tronco embrionárias

O governo americano reagiu às críticas dos cientistas a sua política para pesquisas com embriões humanos anunciando, nesta semana, a criação de um banco nacional de células-tronco embrionárias.Segundo a agência AP, a administração Bush continuará não liberando financiamento para pesquisas com embriões humanos, mas pretende facilitar o trabalho dos pesquisadores com as linhagens de células-tronco já obtidas antes de agosto de 2001, quando as restrições passaram a vigorar.Além desta medida, o governo anunciou a liberação de US$ 18 milhões para o Instituto Nacional de Saúde criar, ao longo dos próximos quatro anos, três centros de excelência para incrementar as pesquisas com as linhagens de células-tronco embrionárias já disponíveis.?Antes de se afirmar que a política para células-tronco deva ser liberalizada, devemos primeiro explorar o potencial das linhagens disponíveis?, disse o secretário de Saúde, Tommy Thompson, em carta enviada ao Congresso na semana passada.No Congresso, até os republicanos ? incluindo os anti-aborto ? vêm criticando insistentemente o presidente George W.Bush por suas restrições a pesquisas com células-tronco embrionárias.A reação de Bush coincide com a notícia de que Ron Reagan, filho mais novo do ex-presidente republicano Ronald Reagan, fará um pronunciamento na convenção dos democratas que oficializará a candidatura de John Kerry à presidência.Ron e sua mãe, Nancy, têm sido ativos manifestantes contra a política de Bush, pois Reagan ? que morreu no mês passado ? sofria de Alzheimer e estava completamente alheio nos últimos anos de sua vida.O anúncio não entusiasma pesquisadores como Keith Yamamoto, da Universidade da California, que vê problemas na pouca diversidade de linhagens. ?Não precisamos de mais do mesmo. As questões fundamentais que precisamos responder nas pesquisas vêm, em parte, do que aprendemos com as variações das células?, explicou ele, segundo a AP.Os cientistas pesquisam com células-tronco em busca de mecanismos para substituir células e tecidos humanos danificados, o que se aplicaria a pacientes como os de Alzheimer, Parkinson, diabetes, doenças degenerativas em geral, entre outras.As células-tronco adultas - encontradas na medula óssea, por exemplo ? já vêm sendo usadas há anos, mas têm limitações. Os pesquisadores acreditam que as células-tronco de embriões têm maior capacidade de substituir qualquer célula ou tecido.

Agencia Estado,

14 de julho de 2004 | 12h47

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