Butantã produzirá vacina contra gripe aviária

O Instituto Butantã deu na semana passada o primeiro passo para fabricar a vacina contra a gripe aviária. Isaias Raw, diretor da Divisão de Desenvolvimento Tecnológico do Butantã, em São Paulo, pediu em Genebra a autorização para receber a cepa de um subtipo do vírus da gripe, o H5N1, responsável pela doença.A solicitação foi feita para representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS). "Eles toparam na hora. Temos capacidade de produção", diz Raw.A idéia do Butantã é fabricá-la antes mesmo da vacina da gripe comum, prevista para ser lançada pelo instituto em 2007. "Vamos aproveitar parte das máquinas que importamos para nossa fábrica de vacinas da gripe para equipar um laboratório de emergência. Só aguardamos o aval financeiro do governo."O Ministério da Saúde acaba de viabilizar a liberação da verba para a criação do laboratório. "O dinheiro não estava previsto no Orçamento. Mas o ministro da Saúde (Saraiva Felipe) determinou agora a liberação de R$ 3 milhões", revela Expedido Luna, diretor de Vigilância Epidemiológica do País. "A vacina se tornou um dos mais importantes pontos de nosso plano de ação sobre a epidemia, que está quase concluído."O ministro acaba de convocar uma reunião internacional, para novembro, no Rio, para discutir o tema. "Assim que o laboratório for concluído, em cinco meses estaremos prontos para fabricar", diz Raw.A previsão é que, já em 2006, 20 mil doses sejam produzidas. "É o suficiente para um primeiro plano de ação, o de imunizar quem tiver contato com pessoas contaminadas em outros países."Com isso, o Brasil passou a fazer parte de uma força-tarefa mundial contra a gripe aviária, no caso de uma eventual pandemia da doença.A gripe aviária já causou a morte de 65 pessoas em quatro países da Ásia, desde 2003. A última foi confirmada na segunda-feira, na Indonésia.O H5N1 vive em aves aquáticas, que raramente desenvolvem a doença. O problema é quando outras espécies de aves são contaminadas. O frango libera o vírus nas fezes, que se desmancham e se propagam pelo ar.

Agencia Estado,

27 de setembro de 2005 | 10h24

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