Butantã quer abastecer outros países com vacinas

O Instituto Butantã, em São Paulo, é o maior fabricante de vacinas da América Latina e, em breve, deve começar a exportá-las para países vizinhos e África. Responsável por 82% da produção nacional, o Butantã promete lançar, a partir do ano que vem, quatro novas vacinas no mercado.Segundo o sanitarista Otávio Mercadante, diretor do instituto, tanto as instalações e equipamentos quanto o número de pesquisadores são suficientes para encarar o desafio de aumentar a produção e exportar. "Não dependeremos mais de um único comprador, que é o Ministério da Saúde", diz ele.A idéia é que já no ano que vem sejam feitas vendas ao exterior para, em cinco anos, o Butantã atingir status de referência mundial na exportação de vacinas.Competição internacionalPara isso, entretanto, será preciso competir com grandes laboratórios europeus e americanos. Segundo Mercadante, o Butantã terá de contar com uma política comercial agressiva. "Mas estou seguro de que vamos conquistar nosso espaço. Nossos produtos seguem padrão internacional e os preços são em reais."Os preparativos passam pela certificação pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e o diretor garante que a instituição está preparada. "Solicitamos a vistoria dos técnicos no início do ano e eles deverão chegar até o fim de julho. Na semana passada, representantes do Unicef passaram por aqui, mostraram interesse em nossa produção e se surpreenderam com ela." TrípliceA América do Sul e a África são o foco inicial do Butantã, que aposta na grande demanda e baixa õferta da vacina tríplice. Outras três vacinas estão em fase de produção e vão para o mercado no ano que vem.Uma delas é a anti-rábica, desenvolvida em parceria com o Instituto Pasteur. "Está na fase final de produção, em teste clínico, e será produzida em cultura de célula em vez de células de camundongo", disse. "Os riscos de reação (efeitos neurológicos, como perda de sensibilidade, perda motora) são muito menores." AntigripeUm dos grandes investimentos do Butantã é a vacina contra a gripe. O instituto prevê uma produção em torno de 17 milhões de doses, com 130 pessoas envolvidas. "Mas ela só será lançada daqui a três anos."Outra novidade é uma dupla, conjugando a BCG (anti-tuberculose) e a vacina contra hepatite B. "Será feita em parceria com a Unicamp e aplicada em recém-nascidos", explica Mercadante. "Hoje, usamos a BCG sozinha. Além da vantagem de diminuir o número de picadas, uma vai potencializar a capacidade de proteção da outra.A vacina pêntupla, fruto de uma parceria com a Fiocruz, vai conjugar a tríplice (difteria, tétano e coqueluche), a hepatite B e um tipo de meningite (por hemófilos, com maior incidência em crianças com até 5 anos). "E será produzida de maneira menos tóxica." Os planos incluem também a vacina contra rotavírus (principais causadores de diarréia em bebês e crianças).

Agencia Estado,

17 de junho de 2004 | 14h41

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