Butantã receberá tecnologias dos EUA para vacinas

O número 1 em vacinas no País segue em expansão. O Instituto Butantã, de São Paulo, responsável por 82% do volume produzido no Brasil, vai fechar acordos internacionais com instituições públicas americanas para fabricar vacinas contra quatro doenças.Do Instituto Nacional de Saúde dos EUA o Butantã vai receber tecnologias (ou vacinas-semente) do rotavírus e da dengue. A tecnologia do HPV virá da Universidade da Carolina do Sul e a da leishmaniose, da Universidade Estadual de Washington."Os contratos estão apalavrados", conta Isaías Raw, diretor-presidente da Fundação Butantã. "Depois de um longo namoro, só falta formalizar tudo no papel para começamos a tocar o trabalho."Gentileza e interesseO inédito da transação é que se trata da primeira vez que ocorre um acordo com o governo dos EUA e um fabricante nacional de vacinas.Os acordos com os americanos são, na verdade, uma espécie de troca de gentilezas. De um lado, o Brasil ganha a tecnologia; de outro, as entidades estrangeiras têm quem faça por elas a pesquisa clínica (teste em humanos) e a produção.Há uma explicação para o fato de um país de Primeiro Mundo estar interessado em doenças como leishmaniose, dengue e rotavírus. "Os EUA têm soldados espalhados pelo planeta em contato com as mais variadas doenças", diz Raw.Dois anosA leishmaniose (infecção transmitida por inseto), por exemplo, atinge 500 mil pessoas por ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o Ministério da Saúde registrou 2,3 mil casos em 2003. Em 1992, eram 1,8 mil.A dengue atingiu no Brasil 341,8 mil pessoas no ano passado. Em 1992, eram apenas 1,6 mil. Já o rotavírus (microorganismo que causa diarréia violenta) é responsável pela morte de 600 mil crianças com menos de 5 anos no planeta.Por fim, o HPV (vírus que pode causar câncer no cólon do útero) atinge, de acordo com o Hospital do Câncer, 1 em cada 4 mulheres."Depois de assinados os acordos, as vacinas deverão ir para os postos de saúde em dois anos", promete Raw. "O Ministério da Saúde tem tudo para comprá-las, porque terão o preço das demais. Não vão custar mais do que US$ 1,50."

Agencia Estado,

02 de setembro de 2004 | 11h09

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