Caçadores ilegais entram no parque. É uma carnificina

Caçadores ilegais mataram pelo menos quatro tigres, um filhote de elefante e um rinoceronte, no mês passado, numa reserva florestal no sul da Malásia, empurrando espécies ameaçadas para mais perto da extinção, segundo fontes oficiais revelaram hoje.A polícia florestal acredita que os animais foram mortos para suprir um lucrativo mercado negro de peças de espécies raras, que são valorizados por toda a Ásia como remédios folclóricos para males que vão de doenças sérias a baixa da libido.?Isto não foi uma caçada esportiva, isto foi feito para consumo e lucro?, disse Mohamed Basir Mohamad, diretor do Parque Nacional Endau-Rompin, no Estado sulino de Johor, de onde os animais foram levados.?Os tigres foram pegos e cada pedaço vendido, até os ossos?, disse à Associated Press.Tribos aborígenes e aldeões que vivem perto da floresta alertaram, recentemente, a polícia florestal para armadilhas que encontraram e relataram que caçadores estavam vendendo pedaços de três ou quatro tigres. Funcionários da entidade oficial do meio ambiente investigaram o caso, mas não prenderam ninguém, segundo Mohamed Badir.?É um negócio muito lucrativo, quem quer que seja que esteja envolvido parece saber apagar suas pegadas?, disse. ?Quando os funcionários do meio ambiente davam batidas em locais suspeitos, eles nunca pareciam ter algo ilegal com eles.?Ainda existem 500 tigres nas selvas da Malásia, cerca de 30 deles em Endau-Rompin. São protegidos por lei e caçá-los é ilegal, mas permite-se que policiais atirem em qualquer um que matar pessoas.Grupos ambientalistas dizem que os exterminadores da vida selvagem no sudeste da Ásia são geralmente aldeões e pescadores pobres que vendem no mercado local ou a pequenos comerciantes, que repassam o produto a redes comerciais sofisticadas da região.Mohamed Basir disse que um tigre pesando 70 quilos pode valer até US$ 21.000 pela pele e pela cabeça, US$ 3.900 pelos ossos e USS 53 por quilo de carne.O parque Endau-Rompin tem cerca de um terço do tamanho da ilha de Singapura e 370.000 acres de floresta tropical, o que torna impossível impedir caçadores de entrar. Segundo Mohamed Basir, o governo malaio está comprometido com a preservação das espécies, mas não pode protegê-las completamente de a procura dos consumidores e a ganância continuarem a encorajar esses morticínios.

Agencia Estado,

22 de abril de 2004 | 13h51

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